BA: MPF vai investigar excesso de urânio em poços artesianos

Agência Brasil

BRASÍLIA - O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar a denúncia de contaminação dos poços artesianos que abastecem a população de Caetité (BA) feita pela organização não-governamental Greenpeace. A entidade coletou algumas amostras de água que indicaram nível de urânio acima do permitido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O relatório com os dados foi divulgado pela organização no dia 16 de outubro.

- O Ministério Público vai investigar agora se esse nível de urânio acima do permitido é em razão da atividade das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) ou se é característico da própria região, que é naturalmente radioativa - explica a desembargadora do MPF na Bahia Flávia Galvão Arruti em entrevista nesta terça-feira ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.

O Ministério Púbico Federal realizou uma audiência pública em Caetité, cidade a 700 quilômetros de Salvador, na última sexta-feira para ouvir a comunidade local sobre a questão.

- O Ministério Público anunciou diversas medidas que iria adotar, entre elas a realização de uma auditoria independente, com peritos que serão designados pelo MPF, com a participação da população, da INB e da Comissão de Energia Nuclear.

A finalidade é verificar se a INB tem ou não responsabilidade na contaminação.

Para a desembargadora, o Greenpeace fez um excelente trabalho.

- [O movimento] foi o catalizador dessas informações. Apesar de já existir um procedimento administrativo no Ministério Público investigando a INB, é a primeira vez que chega uma denúncia sobre elevado índice de urânio em Caetité - afirmou.