Família decide doar órgãos de Eloá

JB Online

RIO - A família de Eloá Pimentel, 15 anos, morta após ser baleada na cabeça e na virilha depois de 101 horas de cárcere privado imposto pelo ex-namorado Lindenbergue Alves, 22 anos, em São Paulo, decidiu doar os órgãos da menina.

Equipes responsáveis pela captação devem chegar por volta de meio-dia ao Centro Hospitalar Santo André, onde a paciente estava sendo tratada, para fazer os exames prévios necessários para a captação.

O secretário de Saúde de Santo André, Homero Nepomuceno Duarte, confirmou na madrugada deste domingo a morte cerebral da jovem. A morte cerebral foi declarada às 23h30 do sábado.

- Todas as artérias cerebrais apresentaram colapso circulatório, o que corrobora o diagnóstico de morte cerebral - afirmou Nepomuceno, que aguarda a decisão da família para a doação de órgãos.

Durante a tarde do sábado, Eloá já não tinha apresentado atividade cerebral no primeiro exame neurológico. No entanto, o protocolo médico exige uma segunda bateria de exames após intervalo de seis horas para confirmar a morte cerebral.

Um dos tiros atravessou o crânio e ficou alojado próximo da nuca de Eloá. Os médicos optaram em não retirar a bala porque os danos seriam maiores. Os pais e os dois irmãos ficaram ao lado da jovem na UTI na maior parte do tempo que ela passou no hospital.

Segundo a diretora geral do Centro Hospitalar de Santo André, Rosa Aguiar, a família acreditou até o último instante que ela poderia sair do coma. "Todo o tempo a família tinha fé", disse Rosa, que ressaltou o trabalho de apoio psicológico aos parentes realizado pelo hospital.

Enquanto era anunciada oficialmente a morte cerebral de Eloá, amigos da adolescente ajoelharam-se em frente ao hospital e começaram a rezar, recitando aos gritos passagens da Bíblia. Muitos choravam abraçados, lamentando a morte da jovem.

Há pouco, o delegado da 6ª seccional de Santo André, Luiz Carlos dos Santos, confirmou em entrevista coletiva que os disparos que atingiram Eloá e Nayara foram efetuador pelo seqüestrador. Amostars de sangue de Lindemberg foram recolhidas para verificar se ele havia consumido álcool ou drogas.

O delegado disse ainda que depende da recuperação e alta de Nayara para ouvir a menina e marcar a reconstituição do crime. Lindemberg também será ouvido an próxima semana.

Seqüestro

O suspeito Lindembergue Alves, 22 anos, invadiu o apartamento da família da ex-namorada Eloá, na tarde de segunda-feira. Ela estava acompanhada da amiga Nayara e de dois colegas de escola. Eles fariam um trabalho para aula quando todos foram rendidos.

Lindembergue libertou os dois adolescentes na segunda-feira e Nayara na terça-feira, após mantê-la no apartamento por 33 horas. O seqüestro teria sido motivado pela recusa de Eloá de reatar o namoro. Na quinta-feira, Nayara voltou ao apartamento onde estavam Lindembergue e Eloá para tentar mediar a libertação da amiga.

Com informações do Terra e da Globonews