Eloá tem coma irreversível. PM demorou para arrombar porta

Jornal do Brasil

SÃO PAULO - A adolescente Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, mantida refém por mais de cem horas pelo ex-namorado auxiliar de produção Lindemberg Fernandes Alves, 22, permanece em coma irreversível. A informação foi prestada, ontem, informou por volta das 17h, pela neurocirurgiã Grace Mary Lídia, do Hospital Municipal de Santo André, região do ABC paulista, onde aconteceu a tragédia.

Segundo a médica, é a forma mais grave do coma. A adolescente corre risco de morte cerebral. A equipe médica diz que ela ainda passa por exames e que, até a madrugada de hoje deveriam ser divulgadas outras informações sobre o estado de saúde da paciente.

Já Nayara Rodrigues Silva, 15 anos, amiga de Eloá e que também foi refém de Lindemberg, está se recuperando bem da cirurgia realizada na noite de sexta-feira. Ela levou um tirou no rosto.

Quinze segundos fatais

Ontem soube-se também que o atraso de 15 segundos da PM para arrombar a porta do apartamento onde as duas adolescentes eram mantidas reféns deu o tempo suficiente para que o ex-namorado de Eloá atirasse contra as duas.

De acordo com o perito Rucardo Molina, da Universidade de Campinas (Unicamp), em entrevista à TV Globo, os soldados explodiram a porta mas não sabiam que ela estava escorada por uma mesa e uma pequena estante. A porta cedeu, mas só foi de fato aberta a pontapés. Este imprevisfo foi admitido pelo coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da PM

Neste curto espaço de tempo, Lindemberg atirou contra o rosto de Nayara e posteriormente contra a cabeça de Eloá, que já estava ferida na virilha, de acordo com as investigações iniciais. Era o primeiro tiro, aquele que levou a PM a agir.

De acordo com informações da Polícia Civil, que ontem iniciou a perícia no apartamento, as duas adolescentes estavam deitadas na sala, a menos de um metro de distância, o que afasta a hipótese de que elas pretendiam fazer algum tipo de reação. Eloá no sofá e Nayara em um colchonete a seu lado.

Atirador de elite

A Polícia Militar afirmou, ontem, que teve chance de matar o ex-namorado de Eloá, com um disparo feito de longe por atirador de elite. Não optou por essa alternativa na esperança de que ele liberasse seus dois reféns pacificamente. A decisão foi tomada com base no perfil de Alves, que não tinha antecedentes criminais e agia motivado por uma questão passional

Poderíamos tem matado, mas ele é um garoto de 22 anos, sem antecedentes criminais e com um problema amoroso disse o coronel Félix.

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), visitou o Centro Médico Hospitalar do Município de Santo André, onde estão internadas Eloa e a amiga por volta das 2h de ontem. Ele permaneceu durante cerca de 45 minutos no hospital e conversou rapidamente com Nayara Rodrigues da Silva. Serra defendeu a estratégia usada pela PM no caso.