Decretada prisão de médico acusado de 5 mortes, em Goiás

Portal Terra

GOINIA - O médico Denísio Marcelo Caron, 46 anos, teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 13ª Vara Criminal, após oficiais de Justiça não conseguirem localizá-lo para entregar intimação sobre a sessão de júri marcada para a última terça-feira, no 1º Tribunal de Júri de Goiânia. Caron será julgado por homicídio qualificado de Janet Virgínia Novais Figueiredo, morta em 2001, em decorrência de complicações resultantes de uma lipoaspiração realizada pelo médico. Ele também é acusado pela morte de outras quatro pacientes.

O Ministério Público afirma que o médico teria perfurado o intestino da vítima durante o procedimento, que não resistiu às lesões e morreu seis dias depois. Ela era casada com o cunhado do médico, que teve o registro profissional cassado em 2002 pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Em sua sentença, o juiz Alcântara disse que obteve a informação de que o médico havia se mudado para Natal (RN), mas, ao expedir uma carta precatória intimatória para a capital potiguar, soube que o médico não tem endereço próprio e que "fica perambulando de um lado para o outro" na praia da Pipa, em Natal.

Além de Janet, Caron é acusado de ter provocado a morte de outras quatro mulheres. Três das vítimas foram operadas em Goiânia e as outras duas em Taguatinga (DF). Ele também é suspeito de ter causado deformações físicas em outras 29 pacientes após cirurgias supostamente mal sucedidas. Todos os procedimentos teriam ocorridos entre 2000 e 2002.

O médico já esteve preso por duas vezes. A primeira, em 2002, por quatro dias. Depois, em 2005, entre quatro de outubro e 17 de novembro. Nesta segunda vez, ele residia em São José do Rio Preto (SP), onde fazia o curso de Direito.

Caron nega a autoria do crime e se defende atacando outro médico, que teria deixado de fazer drenagem no ferimento de outra cirurgia em Janet. Alcântara rebate que o réu não provou suas alegações e que testemunhas atribuem a ele a responsabilidade. O juiz também lembra que Caron não tinha registro de médico autorizado a fazer cirurgia plástica. Ele teria falsificado um documento para se passar por cirurgião.

A reportagem procurou a advogada Vivianne Vaz Vieira, cujo nome aparece no processo da morte de Janet como advogada de Caron, mas não a localizou.