PSDB quer duas CPIs para apurar grampos

Portal Terra

BRASÍLIA - Em reunião realizada nesta manhã, a Executiva Nacional do PSDB decidiu que vai pedir a instalação de duas CPIs para apurar a denúncia de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria grampeado diversas autoridades, entre elas o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

Além disso, o partido pretende entrar com uma representação na Procuradoria Geral da República, pedindo para que o caso seja investigado. O senador tucano Álvaro Dias explicou que, pela gravidade das denúncias envolvendo a Abin, a investigação se faz necessária com uma CPI na Câmara e outra no Senado, apesar da existência da CPI dos Grampos. - A CPI da Câmara tem outro objetivo. Queremos outras para investigar especificamente este processo - disse.

O PSDB vai pedir ainda para que o presidente do Senado, Garibaldi Alves, convoque uma sessão conjunta para dar explicações sobre as investigações que são feitas pela Casa para apurar os grampos.

De acordo com reportagem da revista Veja, a Abin teria gravado conversa telefônica do ministro Gilmar Mendes com o senador Demóstenes Torres. A reportagem traz a transcrição do diálogo e diz que teve acesso aos documentos por meio de um servidor da agência, que pediu anonimato.

O diálogo telefônico de pouco mais de dois minutos entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) teria ocorrido no fim da tarde do dia 15 de julho. A revista diz que, mesmo sem ter relevância temática, o diálogo prova a ilegalidade da espionagem.

No telefonema, Demóstenes pede ajuda a Gilmar contra a decisão de um juiz de Roraima que teria impedido o depoimento de uma importante testemunha na CPI da Pedofilia, da qual é relator. Mendes agradece a Demóstenes por ter criticado, na tribuna do Senado, o pedido de impeachment do presidente do STF feito por um grupo de promotores descontentes com o habeas-corpus concedido ao banqueiro Daniel Dantas. Na época, a Polícia Federal acabara de concluir a Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro duas vezes. A assessoria de Mendes confirma a conversa com o senador.