CPI dos grampos deve ouvir hoje diretor afastado da Abin

Agência Brasil

BRASÍLIA - O diretor-geral-adjunto afastado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), José Nilton Campana, deve depor nesta quarta-feira, às 14h30, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas. Ele foi convocado para falar sobre a denúncia de que a Abin teria sido responsável por grampear ilegalmente o telefone do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes.

Na última terça-feira, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, a quem a Abin é subordinada, negou à CPI que a agência tenha realizado, em caráter institucional, qualquer interceptação de telefonemas de ministros do STF. Ele não descartou, porém, a participação de funcionários da Abin no grampo ilegal.

- Não descartamos nenhuma hipótese, nem mesmo essa. A Abin como instituição é uma coisa, mas servidores da Abin são seres humanos, sujeitos a erros e acertos - afirmou Félix.

Na última segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o afastamento temporário da cúpula da Abin, comandada por Paulo Lacerda, até que sejam concluídas as investigações sobre o envolvimento do órgão em escutas telefônicas ilegais.

De acordo com matéria da revista Veja, a Abin, subordinada à Presidência da República, teria gravado a conversa telefônica de Mendes com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) no dia 15 de julho. A reportagem traz a transcrição do diálogo e diz que teve acesso aos documentos por meio de um servidor da agência, que pediu anonimato.

A revista informou ainda que os senadores Tião Viana (PT-AC), Arthur Virgílio (PSDB-AM ), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Álvaro Dias (PSDB-PR) também teriam sido grampeados pela Abin. Os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, e das Relações Institucionais, José Múcio, além do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, igualmente teriam sofrido escutas realizadas pela agência.