Laudo: braço quebrado matou menino agredido

Portal Terra

SÃO PAULO - O Centro de Medicina Legal de Ribeirão Preto (SP) confirmou que a morte do menino Pedro Henrique Marques Rodrigues, 5 anos, no dia 12 de junho, foi causada por embolia gordurosa. A fratura no osso do braço, segundo o laudo, liberou células gordurosas que entraram na corrente sangüínea, se misturaram à medula óssea e foram parar no pulmão. Os vasos capilares foram obstruídos. A polícia investiga se o menino sofreu maus-tratos, relatados por vizinhos.

A delegada Maria Beatriz de Campos, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto, que investiga a morte do menino, recebeu nesta manhã o laudo dos médicos. Ela não quis se manifestar antes de ler todo o documento classificado por ela como muito técnico. - Ele é muito extenso e só vou me manifestar depois de analisar o texto - diz a delegada sem definir prazo para esse processo.

A delegada também não quis antecipar qual decisão será tomada a partir de agora. Ela também não se manifestou sobre um possivel novo pedido de prisão do casal.

O laudo diz que as mucosas estavam limpas e não havia sinal de liquido corrosivo. Isto vai contra a versão da mãe de Pedrinho, Kátia Marques, e do marido dela, o representante comercial Juliano Gunelo. Eles disseram que o garoto ficou um tempo curto sozinho e, de repente, pegou uma caneca, colocou um tira-manchas e bebeu. Ele passou mal, teve convulsão e chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.

A hipótese levantada pela polícia é que Pedrinho quebrou o braço, que resultou na embolia gordurosa, ao apanhar dentro de casa. O advogado Luiz Carlos Bento, que defende a mãe e o padrasto de Pedro Henrique, disse que só irá se declarar a respeito após receber o laudo.

Depois da morte, o corpo do menino foi levado próximo ao pai em Araraquara, a 90 km de Ribeirão. Ele foi enterrado, mas, logo depois,a delegada foi avisada pelo médico que Pedrinho tinha hematomas pelo corpo e duas fraturas no punho direito. Com a suspeita de agressões e o relato de vizinhos informando constantes brigas entre o casal e um suposto abandono em relação ao garoto, a delegada requisitou à Justiça a exumação do corpo para novos exames.

O corpo ficou no Instituto Médico Legal (IML) por 11 dias até ser novamente enterrado. Na ocasião, o pai, o policial militar Odair Donizete Rodrigues, afirmou que irá descobrir a verdade. A polícia chegou a pedir a prisão do casal sob acusação de homicídio. O pedido foi negado pela Justiça que pediu mais informações sobre o inquérito alterado de morte suspeita para homicídio.

Quase dez dias depois da morte, polícia e perícia se anteciparam ao afirmar que Pedro Henrique morreu por embolia gordurosa. Em entrevista anterior, o advogado do casal disse que o menino pode ter quebrado o punho ao ser socorrido na ambulância ou no próprio hospital. Até agora, a polícia já ouviu 15 testemunhas ligadas à família. Uma moradora do condomínio em que o casal morava chegou a afirmar ter ouvido uma discussão no dia da morte. Segundo a testemunha, a mãe gritava: "pára, chega, pára".