RR: mais de 800 índios se reúnem em Surumu

Portal Terra

BOA VISTA - Mais de 800 índios de várias regiões e das etnias Ingaricó, Patamona, Wapichana e Wai-Wai estão na Vila Surumu (RR), aguardando a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a legalidade da terra indígena Raposa Serra do Sol. No primeiro dia de julgamento, o clima na região é de tranqüilidade.

Tanto do lado de quem defende a demarcação contínua, como de quem quer a divisão da reserva em ilhas, evita-se falar em confronto. Porém, todos dizem que não vão sair da terra.

O líder indígena Martinho Macuxi Souza, coordenador do Movimento da Raposa Serra do Sol, disse que a maneira dos 19 mil "parentes" resistirem será produzir. Além disso, os índios não aceitarão mudanças no decreto homologatório. Souza garante que vai recorrer às cortes internacionais na defesa dos direitos dos povos indígenas.

Ligado à Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiur), que defende a divisão da área de 1,7 milhão de hectares em ilhas, o tuxaua da comunidade do Surumu, José Brasão, que é da etnia Baré, do Amazonas, disse não existir nada definido sobre o que fazer se for mantida a homologação.

Juntamente com outra entidade parceira, a Aliança de Integração e Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima (Alidcir), e lideranças que integram as duas organizações, Brasão comentou que vai aguardar a decisão do STF para depois deliberar sobre o que irão fazer.

O Conselho Indígena de Roraima (CIR), que defende a permanência do decreto, reuniu dezenas de indígenas na quadra de esportes, na entrada da vila, onde crianças, jovens e idosos participam de danças como forma de dar boas vindas aos índios que chegavam de várias regiões. Na parte da manhã, fizeram uma passeata, que saía do centro de formação em direção à Comunidade do Barro, como é chamada a vila pela CIR.

Do outro lado, a subprefeitura de Pacaraima disponibilizou um telão na frente do prédio, onde era transmitido, diretamente da sala de sessões do Supremo Tribunal Federal, o julgamento da ação que contesta o ato homologatório. Foram distribuídas camisetas nas cores verde e amarela.

Está prevista para depois da decisão a realização de um culto religioso. O local vai depender do resultado. Caso o STF decida rever o decreto, o evento será na ponte do Surumú, entrada da vila. Caso contrário, o local ainda será escolhido.