Banco Central demonstrou forte desejo de combater inflação, avalia FGV

Agência AFP

BRASÍLIA - Ao aumentar em 0,75% a taxa básica de juros (Selic), nesta quarta-feira, o Banco Central deu sinais de prudência e forte preocupação com o combate à inflação, de acordo com o economista Samuel de Abreu Pessôa, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). - Foi uma atitude prudente. Acho que a maior parte do mercado estava esperando um aumento de 0,5%. É um sinal de forte desejo do Banco Central em combater a inflação - destacou Pessôa.

Ele destacou que o tratamento dado à inflação pelo Banco Central e os aspectos internacionais e internos poderão fazer que, no final de 2009, o Brasil possa ter um cenário de inflação mais próximo das espectativas do governo. - Acho que no final de 2009 teremos uma inflação convergindo para a meta de 4,5% - destacou.

Duas avaliações podem ter sido feitas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para definir o aumento, na opinião do economista. - O sinal que eles estão dando é que a inflação está subindo rápido e que, nesse contexto, há sinais que o nível de utilização da capacidade produtiva está perto do limite. O Banco Central deve ter considerado ainda que o nível de crescimento da sociedade está além das possibilidades da economia - avaliou.

De acordo com Pessôa, o ritmo de 0,5% não era suficiente para produzir a elevação do juros reais (juros nominais menos a inflação). Isso porque, acrescentou, a inflação subiu na mesma proporção do juro nominal. - Para conter o crescimento da demanda, a fim de combater a inflação, é necessário que o juro real cresça - explicou.

O aumento dos juros não deve ter efeito direto no cotidiano das pessoas, segundo com o professor. - A gente sabe que, de imediato, o aumento dos juros tem pouco efeito. A política monetária tem uns nove meses de defasagem para que este aumento produza efeito sobre a oferta e a demanda. Uma diferença de 0,25% para as pessoas em geral não é muito importante. Para o cidadão comum não vai fazer muito efeito - avaliou Pessôa.

- Já para o mercado, a sinalização é importante. O mercado joga, aposta, vende, compra papel. Acertar ou errar a taxa do Copom tem resultados nas mesas de investimentos. O mercado olha com muito cuidado, com muita atenção e tenta acertar a taxa - completou.