Fabricantes podem transferir tecnologia de caças ao Brasil

Raymond Colitt, REUTERS

BRASÍLIA - Fabricantes procuradas pela Força Aérea Brasileira no processo de compra de novos caças expressaram nesta quinta-feira que podem incluir a transferência de tecnologia em uma eventual venda ao governo brasileiro.

A FAB quer um caça multifuncional para substituir toda sua frota nos próximos 15 anos e, para isso, já lançou um processo para adquirir ao menos 36 aeronaves, segundo a assessoria de imprensa da Força Aérea.

O plano de troca de toda a frota pode elevar o número de pedidos para 100 aeronaves.

Os seis modelos escolhidos pela FAB para participarem do processo F-X2, e sobre os quais a Aeronáutica já pediu informações aos respectivos fabricantes, são o F-18 Super Hornet, da Boeing; F-35 Lightning II, da Lockheed Martin; o Rafale, da Dassult; o SU-35, da Sukhoi, o Gripen, da Saab; e o Typhoon, da Eurofighter.

O governo busca, no entanto, um acordo que envolva um generoso pacote de transferência de tecnologia, que possivelmente inclua a montagem local dos caças, para ajudar o país a desenvolver sua própria indústria de aviação e a realização no Brasil da manutenção dos equipamentos.

- A transferência de tecnologia não é um problema. A Eurofighter tem um histórico de parceria com os seus clientes - disse Valério Bonelli, porta-voz da Alenia, uma das sócias do consórcio Eurofighter. A Boeing e a Lockheed também disseram que queriam apoiar o desenvolvimento da indústria local.

- O F-35 foi desenvolvido desde o início para ser um produto para exportação, e o programa tem sido muito inovador no reino da transferência de tecnologia - disse John Kent, um porta-voz da Lockheed Martin.

Entretanto, o governo norte-americano, que compraria as aeronaves da Boeing ou da Lockheed para revendê-las ao governo brasileiro, tem a última palavra na questão da transferência de tecnologia.

O Brasil vem liderando um processo para criar um Conselho de Defesa sul-americano para ajudar na coordenação das aquisições de armas. Embora muitos vizinhos tenham recentemente renovado suas frotas, alguns fabricantes ainda vêem a maior economia da América Latina como um possível centro de importância da defesa da região.

- O Brasil é um mercado emergente e uma base exportadora em potencial para nós - disse Damian Hills, porta-voz para a Boeing Integrated Defense Systems.

O Brasil atualmente já negocia uma aliança de defesa estratégica com a França, o que inclui a construção de um submarino nuclear no país.

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