Paralisação deixa 1,7 milhão sem ônibus no Recife

Portal Terra

RECIFE - O Recife e a região metropolitana estão sem ônibus desde a 0h. Motoristas e cobradores decidiram cruzar os braços por tempo indeterminado em assembléia realizada na noite de ontem. Com isso, cerca de 1,7 milhão de passageiros devem ficar sem coletivos para ir ao trabalho. No início da manhã, dos 2,7 mil ônibus, apenas 40% (de 800 a 900 veículos) estava nas ruas.

A greve foi decidida depois de mais uma rodada de negociação sem acordo com a classe patronal. Os trabalhadores reivindicavam um percentual de reajuste salarial de 12,88%. Ao longo das negociações, esse valor foi diminuído para 12%.

Já os donos de empresas de ônibus apresentaram, inicialmente, uma proposta de apenas 4%, em duas parcelas, para, logo em seguida, darem uma contra-proposta de 4,35%, em uma parcela, a partir de 1º de julho. Entretanto, não houve um acordo entre os sindicatos dos Trabalhadores Rodoviários de Pernambuco e das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Setrans).

A população, já avisada da greve com antecedência, buscou outras formas de transporte para poder chegar ao trabalho, como veículos particulares, Kombis e vans. As passagens variam de R$ 3 a R$ 10 por passageiro.

Ônibus de outras empresas foram colocados em algumas linhas para auxiliar no transporte. O metrô do Recife passou a operar com a sua capacidade máxima para atender a demanda. No entanto, em estações integradas como a Joana Bezerra, os passageiros tiveram que aguardar a chegada dos coletivos com paciência, pois os intervalos chegaram a mais de uma hora.

Nos terminais de passageiros, a movimentação foi tranqüila. No terminal da PE-15, em Olinda, os primeiros ônibus só chegaram por volta das 6h30. As linhas alimentadoras mais movimentadas, que vêm dos subúrbios de Olinda e de Paulista tiveram de ser operadas por outras empresas.

Poucos ônibus da empresa Cidade Alta, que abastece grande parte das linhas que circulam pelo município de Olinda, foram para as ruas. Segundo os funcionários, apenas 30% da frota circulou nesta manhã.

Já no Recife, os poucos ônibus que passam pela cidade ficaram lotados. O movimento de carros particulares e táxis era grande nas vias. A Polícia Militar reforçou a segurança nos principais corredores de tráfego, nos terminais de ônibus e nas garagens das empresas, a pedido da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), de forma a evitar confusões ou depredações dos coletivos por parte dos grevistas.

Segundo o gerente de Operações da EMTU, Manoel Marinho, a empresa pretende garantir judicialmente o aumento da frota durante a greve.

- Hoje vamos entrar com uma ação na Justiça do Trabalho solicitando liminar para garantir uma frota mínima de 80% circulando - afirmou.

Na sexta-feira da semana passada, a categoria realizou uma paralisação de advertência de 24 horas. Cerca de 50% da frota de ônibus deixou de circular no Recife e região metropolitana.

Trabalhadores realizaram piquetes em frente às garagens para evitar a saída dos coletivos. Aqueles que conseguiam sair tinham os pneus furados ao longo do caminho. Outros ficaram no meio das avenidas, pois os grevistas levavam as chaves dos carros e até forçavam os passageiros a descer. Houve confusão entre manifestantes e a polícia e uma pessoa foi detida.