Prisões: pedido de indiciamento gera bate-boca em CPI

Portal Terra

BRASÍLIA - A sessão da CPI do Sistema Carcerário, realizada para leitura do relatório final, transformou-se em palco de um acalorado bate-boca entre deputados que integram a comissão. A discussão começou quando o deputado Waldemir Moka (PMDB-MS) pediu para que o texto final não sugerisse o pedido de indiciamento do secretário de Justiça de Mato Grosso do Sul, Wantuir Jacine, alegando que ele não poderia ser responsabilizado pelos problemas do sistema carcerário do Estado.

O pedido irritou o relator da CPI, deputado Domingos Dutra (PT-MA), que já diminuiu a lista de pedidos de indiciamentos de 40 para 32 nomes, atendendo a ponderações de deputados membros da CPI. O relator explicou que o secretário de Justiça de Mato Grosso do Sul terá seu indiciamento sugerido porque ele tentou impedir que membros da CPI realizassem diligências dentro do presídio Colônia Agrícola, considerado um dos piores do país.

Como Moka insistiu para que o nome do secretário fosse retirado o relator reagiu. - Não vou retirar (o pedido de indiciamento). Se quiserem pedir vistas do meu relatório peçam. Não aceito jogar nosso trabalho na lata do lixo, não vou proteger o escárnio - disse ele em tom de voz bastante elevado.

Moka, acompanhado de outros deputados do Estado, continuou insistindo. Foi aí então que os ânimos se acirraram e o presidente da CPI, deputado Neucimar Fraga (PR-ES), também se irritou. - O senhor deveria ter ficado aqui na CPI quando passamos um vídeo mostrando a vergonha no seu Estado ao invés de tentar proteger alguém. Ponha-se no seu lugar - declarou.

Finalizada a discussão, o relatório começou a ser lido por Domingos Dutra. No presídio de Mato Grosso do Sul, os deputados encontraram presos dormindo junto com porcos, entre outras demonstrações de maus tratos.