Anac: metade da frota da VarigLog está proibida de voar

Agência Brasil

RIO - A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) proibiu metade da frota da transportadora aérea de cargas VarigLog de voar, alegando falta de segurança dos aviões. Segundo a assessoria da agência, após realizar uma inspeção não-programada no centro de manutenção da empresa, em Guarulhos (SP), técnicos da Superintendência de Segurança Operacional do órgão encontraram problemas em seis das 12 aeronaves em operação.

De acordo com a assessoria, desde a última sexta-feira estão impedidos de voar um DC 10; dois MD 11; dois Boeings 727 e um Boeing 757. Além da manutenção das aeronaves ter sido feita em oficinas que, apesar de homologadas pela Anac, não estão credenciadas para fazer o tipo de serviço exigido, um dos aviões estava com o seguro obrigatório vencido.

A empresa ficará impedida de utilizar qualquer um dos seis aviões até que corrija os problemas encontrados e submeta as aeronaves a nova inspeção dos técnicos da Anac.

Em 2005, o antigo grupo Varig vendeu a VarigLog para a Volo do Brasil - consórcio composto pelo fundo de investimentos norte-americano Matlin Patterson e por três empresários brasileiros: Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel.

Em 1º de abril deste ano, o juiz José Paulo Magano, da 17ª Vara Cível de São Paulo, afastou os três brasileiros da administração da empresa, determinando que a Volo Logistics, controlada integralmente pelo Matlin Patterson, assumisse a gestão da VarigLog.

Como o Código Brasileiro de Aeronáutica proíbe estrangeiros de ser proprietários de mais de 20% das ações de uma companhia aérea nacional, o juiz determinou que a empresa buscasse, em 60 dias, uma nova composição societária. O prazo venceu no último dia 30 de maio, e a Anac então notificou a empresa da irregularidade, dando mais 30 dias para que a VarigLog regularizasse a situação.

Por intermédio do escritório de advocacia Teixeira Martins & Advogados, a VarigLog apresentou recurso pedindo que a decisão fosse reconsiderada. O escritório pertence a Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado pela ex-diretora da Anac Denise Abreu de ter usado de sua influência para favorecer a VarigLog na compra da Varig, em julho de 2006. No entanto, Teixeira nega qualquer interferência na transação.

O recurso da VarigLog foi julgado esta tarde pelos diretores da Anac, que se reuniram no Rio de Janeiro. A decisão do colegiado, no entanto, não foi divulgado, já que, segundo a assessoria da agência, o parecer será divulgado no Diário Oficial da União nos próximos dias.