Promotor acusado de morte de estudante perderá cargo e salário

Portal Terra

BRASÍLIA - O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) determinou, por nove votos a três, a perda do cargo e do salário vitalício do promotor Thales Ferri Schoedl, acusado de assassinar um estudante e ferir outro em uma discussão após uma festa, em Bertioga (SP).

O promotor assistiu à sessão Plenária acompanhado do seu advogado, mas não quis comentar a decisão. O promotor pode recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF).

Schoedl foi preso em flagrante em 2004, quando teria assassinado a tiros o estudante Diego Mendes Mondanez e ferido Felipe Siqueira Cunha de Souza. Ambos teriam mexido com sua namorada na saída de uma festa.

O Conselho havia começado a analisar a garantia de cargo e salários vitalícios para o promotor no dia 28 de abril, mas o julgamento foi paralisado por cinco pedidos de vista simultâneos. Em setembro do ano passado, o CNMP havia decidido afastar Schoedl de suas funções e suspender uma decisão do Órgão Especial do Ministério Público de São Paulo favorável a seu vitaliciamento.

Na sessão de hoje, os conselheiros fizeram a ressalva de que não avaliavam o caso sob o ponto de vista penal, mas apenas julgavam o processo administrativo que foi aberto contra o promotor. - O limite de conhecimento que esse conselho tem é administrativo - explicou o conselheiro Cláudio Barros.

Ainda assim, ele avaliou que Schoedl "não tem perfil condizente com o cargo (de promotor)", pois tinha o hábito de andar armado e teria falsificado documentos e datas de julgamentos. - Essa conduta não é compatível com o cargo de promotor de Justiça. O promotor de Justiça é um cidadão acima de qualquer desconfiança, (...) deve ter comedimento, responsabilidade, deve ser ético - lembrou o conselheiro.

Para o conselheiro Sandro Neis, a postura de Schoedl de falsificar datas em documentos e sentenças demonstra que o promotor não cumpriu o estágio probatório e não tem condições de seguir na carreira.

- É um julgamento apenas institucional. O argumento de legítima defesa deverá ser avaliado pelo Poder Judiciário - disse o conselheiro. - O crime causa danos permanentes à imagem do promotor de Justiça - argumentou Neis, também sugerindo a suspensão do cargo e do salário vitalícios.