Fórum discute relação entre preço de alimentos e biocombustíveis

Agência Brasil

FOZ DO IGUAÇU (PR) - A produção de biocombustíveis e sua possível relação com a alta do preço dos alimentos no mundo foi um dos principais temas da cerimônia de abertura do Fórum Global de Energias Renováveis, que começou ontem (18) em Foz do Iguaçu, no Paraná. O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o vilão da alta dos alimentos é o petróleo e não os biocombustíveis, e que o exemplo do Brasil deveria ser elogiado e não criticado.

- Tem havido elevação do preço dos alimentos no mundo, mas não por causa dos biocombustíveis, mas por causa do preço do petróleo. O fertilizante que se usa na agricultura vem do petróleo, o diesel que se utiliza para movimentar tratores vem do petróleo - explicou. Segundo ele, o Brasil irá se manter inabalável em seu projeto.

Segundo Lobão, o Brasil produz mais alimentos agora do que quando iniciou o projeto de biocombustíveis. - Há cinco anos, produzíamos 80 milhões de toneladas de grãos, e hoje, com os biocombustíveis em plena carga, estamos produzindo 140 milhões de toneladas - disse o ministro.

O diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, disse que o problema da fome mundial está ligado à concentração de renda. - A engenharia agronômica já deu há muitos anos resposta para a questão da produção de alimentos. O povo não come porque não tem renda, porque há uma concentração absurda de renda e poder no planeta que não permite que o conjunto da população tenha acesso a esse bem mais precioso que é a sua alimentação - disse.

Para o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, Kandeh Yumkella, a alta dos alimentos se deve ao aumento do preço do petróleo.

Ele disse que não é coincidência que os países mais pobres do mundo sejam também os que tenham menos acesso à eletricidade.

O Fórum Global de Energias Renováveis vai até a próxima quarta-feira (21). O evento reúne em Foz do Iguaçu (PR) representantes da área de energia do mundo inteiro, além de diplomatas de diversos países. Na cerimônia de abertura estiveram presentes os ministros de Angola, Bolívia, Cuba, Republica Dominicana, Quênia, Arábia Saudita, Senegal, Serra Leoa, Sudão e Argentina.

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