Marina diz que saída foi motivada por 'estagnação'

JB Online

BRASÍLIA - Ao justificar o pedido de demissão feito na última terça-feira (12), a ex-ministra do Meio Ambiente e senadora Marina Silva disse hoje (15) que deixou o governo porque o processo que conduzia há cinco anos e meio chegou à estagnação e precisa de um novo acordo político para ter continuidade. Foi a primeira vez que Marina Silva falou publicamente sobre a demissão.

-Ainda não falei com o presidente Lula, só entreguei a carta. Mas a carta diz tudo - afirmou.

Marina negou que a gota d´água para sua saída tenha sido a entrega da coordenação do Plano Amazônia Sustentável ao ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, e não ao Ministério do Meio Ambiente; apesar de admitir que não foi avisada da decisão antes da cerimônia de lançamento do programa.

-Não posso dizer que o meu gesto é em função do doutor Mangabeira. Não é uma questão de pessoa, mas é que você vai vendo um processo e percebe quando começa a ter estagnação.

Marina disse que ficou feliz com a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a política ambiental não mudará e elogiou a escolha do novo ministro da pasta, Carlos Minc, que, segundo ela, qualifica o processo e poderá dar continuidade às conquistas de sua gestão.

-É melhor ter um filho vivo no colo de outro do que ter o filho jazindo no seu próprio colo - comparou. Ela disse que não pode haver retrocessos na política ambiental e acredita que Minc manterá o filho vivo e o fará crescer.

Questionada sobre o que não pôde ou não teve espaço para fazer no governo, Marina disse que sua saída não pode ser considerada uma derrota e citou a trajetória eleitoral do presidente Lula e a luta do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, como exemplos de que não é correto falar em derrota sem considerar o tempo e que só com a história é que se descobre o que foi derrota e o que foi vitória .

A ex-ministra disse que passou por momentos difíceis ao longo de cinco anos e meio no governo, entre eles pressão pelo licenciamento ambiental das obras das usinas hidrelétricas do Rio Madeira (RO).

-Poderia sair naquele momento como uma heroína, com a versão de que saí porque passaram por cima da minha opinião, do que eu defendia. Mas, em nenhum momento, o presidente Lula disse que queria o licenciamento a qualquer custo, mudando a legislação.

A ex-ministra também citou embates com o então ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, com quem teve discussões muito acaloradas por mudanças no projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. Marina afirmou que a redução de 146 para 26 metros cúbicos por segundo da vazão de água que será desviada do rio pode ser considerada uma grande vitória.

Marina Silva disse que não tem intenção de se candidatar ao governo do Acre e afirmou que deve voltar ao Senado Federal daqui a duas semanas. Questionada se sua atuação do Congresso será mais parecida com a de Ideli Salvalti (PT-SC) ou a de Eduardo Suplicy (PT-SP), respondeu que "vai ser mais para Marina Silva".

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