PCC controlaria fila de visitas em penitenciária de São Paulo

Portal Terra

SÃO PAULO - Familiares de detentos chegam a ficar dez horas na fila de espera para entrar na penitenciária em dias de visitas. Na Penitenciária Regional de Araraquara, os parentes precisaram mudar algumas atitudes na porta da unidade para se adequar às regras que teriam sido impostas pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que tomou as rédeas e, segundo algumas mulheres, assumiu a coordenação da fila de entrada.

Apesar de agora a unidade manter pouquíssimos integrantes da quadrilha, brigas entre parentes teriam forçado o comando das cadeias a decidir por manter a 'ordem' externa.

Os parentes sempre enfrentaram uma verdadeira batalha para conseguir vencer o preconceito: o desrespeito dos agentes penitenciários, o cansaço de horas sob frio e chuva na porta do presídio para visitar filhos, pais ou maridos.

Mas, agora, de forma indireta, eles estariam nas mãos da facção, que assumiu o controle das senhas de entrada. 'Tem gente que acha isso bom, eu discordo', diz a mulher de um preso.

Os familiares precisam chegar com quase dez horas de antecedência para conseguir entrar na penitenciária. Mesmo assim, enfrentam longas filas com mais de 500 pessoas. Parentes contam que, inclusive, um homem que seria o 'sintonia da área 16', ou seja, o chefe de rua da facção da região cujo DDD é 16, estaria aparecendo pessoalmente na porta da unidade para organizar a fila.

Qualquer desordem, segundo alguns familiares, terminará com a punição do preso parente da pessoa envolvida. Agentes da unidade desconhecem essa coordenação da facção. 'É melhor não falarmos disso', conta um funcionário temendo represálias da facção.

Só parentes de detentos com muita influência dentro do sistema têm privilégios, entre eles, o sonho de qualquer parente: uma senha baixa. Ela permite entrar cedo e ficar mais tempo na prisão.

Representantes das Polícias Militar e Civil de Araraquara optaram por não comentar o caso por falta de informações. Investigadores, inclusive, admitem não ter nenhuma denúncia deste tipo registrada. O diretor da Penitenciária de Araraquara, Roberto Medina, também foi procurado e não quis comentar o caso. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) não respondeu a pergunta feita formalmente por e-mail.