Bolívia: Comitê Cívico promete fechar estrada a partir deste sábado

Agência Brasil

BRASÍLIA - O Comitê Cívico da cidade boliviana de San Julian planeja impedir o tráfego de veículos e de pessoas na estrada que liga o Estado de Beni ao de Santa Cruz de la Sierra a partir da tarde deste sábado. A ação foi anunciada nesta sexta à noite pelo presidente do comitê, Félix Martinez Saldias, e visa desestimular a população local a participar da consulta popular sobre a autonomia de Santa Cruz, convocada para este domingo.

- Faremos um bloqueio por mais ou menos uns 60 quilômetros da Estrada Santa Cruz-Trinidad, a partir de Cuatro Cañadas até San Julian. Com isso, muitas pessoas não poderão circular - declarou Saldias, em Santa Cruz, onde, na tarde desta sexta, grupos contrários à realização da consulta realizaram uma marcha de protesto.

Com cerca de 60 mil habitantes, San Julian é apontada como uma das cinco cidades onde podem ocorrer conflitos entre os favoráveis e aqueles que rejeitam o estatuto. As outras quatro cidades são Ñuflo de Chaves, Yapacaní, Los Troncos e Quatro Cañadas, além do bairro popular da cidade de Santa Cruz, Plan Tres Mil.

Sobre a possibilidade de a interdição da estrada acirrar os ânimos, até então tranqüilos, Saldias foi categórico.

- Estamos conscientes de que estamos defendendo a Constituição. Temos um compromisso com nosso país. Sabemos que nossa Constituição tem de ser respeitada e não podemos permitir que nos imponham algo como estão querendo fazer. A imposição causa reação.

Para Saldias, o chamado Estatuto Autônomo de Santa Cruz , se aprovado, criará um estado independente dentro do Estado boliviano.

- Autonomia é uma coisa. Este estatuto é outra - declarou o presidente do Comitê Cívico.

- Querem dividir o país, [a região] Oriente do Ocidente. Isso não podemos permitir. E se cruzarmos os braços agora, mais tarde irão nos acusar de não termos feito nada, de não termos reclamado.

Saldia criticou o presidente da Corte Departamental Eleitoral de Santa Cruz, Orlando Parada, por, segundo ele, colocar indevidamente o órgão a serviço dos que desejam a consulta e a separação do estado do restante do país.

- Apresentamos ao promotor-geral da República uma queixa contra o presidente da Corte por sedição (incitar à desobediência) e desacato. Uma Corte Departamental não pode aceitar que um prefeito a coordene. A Corte tem que ser independente dos demais poderes. E aqui, o prefeito ordenou que essa consulta fosse feita - declarou Saldia, acusando a prefeitura de usar ilegalmente a guarda municipal na vigilância da consulta.

- As atribuições da guarda não são essas.