Reitor da UFAM não se surpreende com nota baixa no Enade

Agência Brasil

AMAZONAS - Um dos principais motivos para o curso de medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) estar entre os piores do Brasil é o seu projeto pedagógico, disse hoje (2) o reitor da instituição, Hidebergue Frota.

-Acredito que seja necessário fazer uma profunda alteração e atualização no projeto pedagógico do curso- afirmou o reitor, em entrevista à Agência Brasil, ao comentar o resultado do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Ele reconheceu que o resultado do Enade, que deu nota baixa à faculdade de mdicina da Ufam, já era esperado.

Na última terça-feira (29), o Ministério da Educação (MEC) divulgou a lista de 17 cursos de medicina que serão supervisionados por causa de baixos conceitos obtidos no Enade.

Segundo Frota, a causa do baixo conceito foi a desatualização do projeto pedagógico do curso de medicina. É um projeto de 1985. É necessário que a comunidade acadêmica da faculdade de medicina - todos os professores, alunos e técnicos - se debruce sobre esse tema.

Há algum tempo, está sendo discutido um novo projeto pedagógico para o curso. No entanto, o reitor disse que nenhuma proposta nova foi apresentada porque se trata de um projeto coletivo que exige muita discussão, devido à atualização de disciplinas e infra-estrutura.

Os cursos que tiveram notas baixas são obrigados a fazer um diagnóstico que aponte os problemas e as possíveis soluções. De acordo com Frota, o relatório da Ufam será feito com a ajuda de outras instituições.

-Vamos convidar professores de outras universidades, do Sul, Sudeste e do Nordeste, para contribuir nesse diagnóstico. Apresentaremos ao MEC quais são as dificuldades que o curso de medicina está enfrentando, além do projeto pedagógico- adiantou Frota.

O curso de medicina é o mais concorrido da Universidade Federal do Amazonas. São aproximadamente 650 alunos e a cada ano 112 pessoas ingressam no curso. Dos 175 cursos de medicina existentes no Brasil, 103 foram avaliados e 17 ficaram com os conceitos 1 ou 2, o que exige supervisão.

Na lista divulgada pelo Ministério de Educação, os cursos de medicina das Universidades Federais do Pará, de Alagoas e da Bahia também tiveram notas baixas.