Festas da CUT e da Força Sindical reúnem 1,5 mi

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SÃO PAULO - Os eventos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical que acontecem em comemoração ao Dia do Trabalho reuniram cerca de 1,5 milhão de pessoas em São Paulo. Os organizadores esperavam dois milhões.

A festa do 1º de Maio da Força Sindical reuniu cerca de 1 milhão de pessoas, segundo o comando da Polícia Militar. O evento, realizado na Praça Campo de Bagatelle, na zona norte de São Paulo, contou com a presença da ministra do Turismo, Marta Suplicy. Ao pegar o microfone para discursar, ela foi vaiada pelo público. Assim que voltou a falar, ainda sob vaias, ela afirmou estar presente como ministra do presidente Lula e não como ex-prefeita da cidade.

- Um pequeno grupo vaiou e muita gente aplaudiu. Não dá para vir em uma reunião desse porte e não receber nenhuma vaia. É normal, é natural que algumas pessoas vaiem - disse Marta após deixar o palco.

Em seguida, a ministra foi à festa da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no autódromo de Interlagos, onde foi aplaudida pelo público. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defendeu o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), Paulinho da Força, nas duas festas. O parlamentar estaria envolvido em um suposto esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

- O que há de fato até agora contra ele? Tem que tomar cuidado para não virar um tribunal de inquisição - disse Lupi. O ministro disse ainda que, até o momento, não há nada de concreto e que as acusações não passam de deduções.

Lupi disse na festa da CUT que também é favorável à redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais. Contudo, afirmou que, como ministro, precisa negociar com o empresariado.

- A redução da jornada está acontecendo no mundo moderno e a proposta é legítima. A reivindicação está indo para o Congresso e o diálogo está aberto- disse.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), também defendeu a redução da jornada de trabalho no evento da CUT. Ele acredita que a redução 'cria condições de aumentar o número de empregos no País'.

-Nós temos a experiência da Constituição de 1988, que reduziu a jornada de 48 horas para 44 e não quebrou empresas e nem tirou a competitividade do País- disse.

Chinaglia afirmou que a comissão especial que vai analisar essa proposta de emenda à Constituição propõe uma jornada máxima de 40 horas semanais e o pagamento de trabalho extraordinário de 75% a mais.

- Eu vou conduzir de maneira a ouvir dirigentes sindicais dos trabalhadores, mas também quero criar condições para que aqueles que sejam contrários, que tenham a oportunidade de defender suas posições. A comissão já está constituída e, a qualquer momento, vai para o Plenário- disse.

Cerca de 500 mil pessoas ao todo participaram dos quatros eventos promovidos pela CUT na Grande São Paulo, segundo estimativas da entidade. Nas festas de comemoração do Dia do Trabalho, dirigentes da central sindical discursaram, entre apresentações de artistas, e reivindicaram a diminuição da jornada de trabalho.

Arthur Henrique, presidente nacional da CUT, lembrou da aprovação da Constituição de 1988, que reduziu a jornada de 48 para 44 horas semanais, e afirmou: 'Vinte anos depois, colocamos como a principal pauta dos trabalhadores uma nova redução'.

Segundo ele, a mudança aumentaria o número de vagas de trabalho no País e daria condições para que os trabalhadores já empregados pudessem se qualificar.

- Falam que o problema de emprego o Brasil se deve à falta de qualificação dos trabalhadores, mas como alguém consegue estudar se trabalha oito horas por dia, faz três horas extras e demora duas horas para chegar no trabalho?- questionou.

Edílson de Paula, presidente da CUT-SP, também defendeu a redução da jornada em seu discurso. Cobrou também a ratificação pelo Brasil das convenções 151 (direito de greve no serviço público) e 158 (garantia de emprego contra demissão sem justa causa) da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a valorização do salário mínimo.

Ele ainda pediu 'consciência política' dos trabalhadores e criticou a postura de entidades de usam o Dia do Trabalho só como pretexto para festas.

De acordo com a central, em seu maior evento do dia, no autódromo de Interlagos, estiveram presentes cerca de 300 mil pessoas.