Casal Nardoni mentiu e foi dissimulado, diz delegada

Portal Terra

SÃO PAULO - A delegada-assistente Renata Pontes, responsável pelas investigações da morte de Isabella Nardoni, escreveu no relatório final da apuração do caso que o pai e madrasta da menina 'mantiveram a mentira de que não haviam a matado de forma dissimulada, desprezando o bom senso de todos para permanecer impunes'. Trechos do documento de 43 páginas, entregue à Justiça com o inquérito na última quarta-feira, foram divulgados pelo Jornal Nacional.

Isabella foi encontrada ferida no dia 29 de março, no jardim do prédio onde moram o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo. Segundo os Bombeiros, a menina chegou a ser socorrida e levada ao Pronto-Socorro da Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta da 0h.

De acordo com os trechos divulgados, a madrasta feriu, com a mão esquerda, a menina com um objeto não-identificado no carro da família, a caminho do apartamento no Edifício London. O ferimento na criança teria causado as três manchas de sangue encontradas pela polícia no carro, cujo DNA não pôde ser atestado. Contudo, segundo o relatório, o sangue observado teria o perfil genético da menina.

Ainda segundo o documento, a família subiu junta ao apartamento, contradizendo o depoimento do casal. Ao chegar ao imóvel, Alexandre Nardoni teria jogado Isabella no chão, perto do sofá. Neste local, os peritos observaram maior quantidade de sangue por meio de reagentes químicos, visto que a mancha foi limpa. Outro trecho divulgado do relatório aponta que a menina sofreu duas fraturas devido a um forte impacto, ao ser jogada no chão.

Para a delegada, o pescoço da criança foi 'apertado por tempo considerável e de maneira forte', a ponto de ter ocorrido asfixia. Como a polícia acredita que ela não teria condições de gritar após sofrer a esganadura, deduz que os gritos de 'papai, papai, pára, pára', relatados por testemunhas, seriam do meio-irmão Pietro, 3 anos.

As autoridades trabalham com a hipótese de que o menino gritou para que o pai impedisse a madrasta de machucar Isabella. Os investigadores acreditam que Anna Carolina esganou a menina.

O documento também aponta que há 'provas robustas' de que Alexandre Nardoni teria jogado a criança pela janela do apartamento. Ao final do relatório, Renata pede a prisão preventiva dos dois para 'impedir a fuga dos indiciados' e 'assegurar a aplicação da lei'. Ela classificou a atitude do casal como um 'ato covarde'.