Desemprego é discutido na 1ª Conferência Nacional da Juventude

Mariana Jungmann, Agência Brasil

BRASÍLIA - Uma das principais preocupações dos jovens, o trabalho - segundo pesquisa do Instituto Pólis foi tema de um dos Grupos de Trabalho (GT) nesta segunda-feira, na 1ª Conferência Nacional da Juventude.

De acordo com o facilitador do GT (espécie de coordenador do grupo), José Ricardo Fonseca, o tema de maior convergência entre os participantes foi desemprego, no qual estão incluídos o trabalho e a geração de renda.

- Há um discurso de senso comum que o desemprego é flexional, ou seja, falta mão-de-obra qualificada. E o grupo apontou uma linha crítica a respeito disso e chegou-se à conclusão que é um problema estrutural, isto é, de falta de vagas - explicou Fonseca.

Segundo ele, uma das propostas aprovadas pelos participantes foi a da redução da jornada de trabalho, sem prejuízo do salário, para a geração de mais vagas. Essa é a linha defendida pelas centrais sindicais, grande parte delas representada na Conferência Nacional da Juventude e com participação no GT sobre trabalho.

Para Sérgio Amorim, da juventude da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o ponto de maior divergência foi justamente sobre formas de gerar emprego para jovens. Segundo ele, alguns eram favoráveis a cooperativas e empreendedorismo, mas CUT e outras centrais são contra.

- A criação de cooperativas não gera emprego descente. Essa é uma forma de interposição fraudulenta de mão-de-obra - alega. Um exemplo que Amorim cita é o de cooperativas de serviços de informática.

- Esse é um modelo bem comum. Em vez de a empresa contratar funcionários para digitar e fazer outros serviços de informática, ela contrata uma cooperativa e paga a ela pelo serviço o mesmo valor que pagaria para um funcionário, só que sem os encargos trabalhistas.

Mas, para o jovem trabalhador rural Raimundo Alves, que veio do Maranhão para a conferência, essa pode ser uma forma de primeiro emprego para os jovens.

- Essa pode ser uma alternativa, sim. Mas claro que precisa ser discutida com os jovens da comunidade. Eu, por exemplo, participo de uma associação que gera renda através do artesanato. É uma experiência que dá certo - contou Raimundo.

De acordo com ele, o que os jovens dessas comunidades buscam mesmo é capacitação profissional.

- A gente precisa da inclusão digital, mas esse não é o único ponto. Queremos programas voltados para as nossas necessidades, que nos preparem na área técnica, que ensinem coisas úteis na roça, e não programas voltados para o jovem da cidade - disse Raimundo.