Reforma agrária: MST protesta em oito Estados e no DF

Portal Terra

RIO - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza protestos em oito Estados e no Distrito Federal na jornada nacional de lutas por reforma agrária. O MST exige o assentamento das 150 mil famílias acampadas no país e investimentos públicos na produção agrícola e habitação em assentamentos.

As famílias sem-terra exigem também mudanças na política econômica para criar condições para a sustentabilidade de um modelo agrícola baseado em pequenas e médias propriedades.

No Paraná, 1,5 mil trabalhadores do MST realizam mobilizações em praças de pedágios em todo o Estado. Foi liberada a passagem dos passageiros na BR-277, em Paranaguá; na BR-269, em Campo Moruão; na BR-376, em Mandaguari; na BR-277, em São Luís do Purunam; na BR-376, em Ortigueira; na BR-277, em São Miguel do Oeste. Cerca de 700 integrantes do MST realizam ato público contra a violência das milícias armadas e do latifúndio, em Ortigueira, região central do Paraná.

- Os pedágios são um dos principais entraves da agricultura camponesa e familiar, pois encarece o transporte e distribuição dos produtos agrícolas, prejudicando os produtores no campo e os consumidores na cidade - afirma Roberto Baggio, da coordenação nacional do MST.

No Ceará, foram bloqueadas a BR-116, a 160 km de Fortaleza, com 400 pessoas, e a BR-020, no município de Boa Viagem, com 500 pessoas. Em Canindé, acontece marcha com 700 pessoas em direção a praça Tomás Barbosa, no centro da cidade, onde acontecerá audiência pública no Incra.

Em Sergipe, 850 famílias ocuparam a usina hidrelétrica de Xingo, no município de Canindé de São Francisco, na manhã desta quinta-feira. - Exigimos o reinício das obras do canal de irrigação do projeto Jacaré Curituba, onde as famílias amargam há 10 anos o descaso da empreiteira - disse o integrante da coordenação nacional do MST, João Daniel.

Na Paraíba, o MST realizou seis ocupações de terra para exigir o assentamento das 2,4 mil famílias acampadas no Estado. Foi fechada também a rodovia que liga Catingueira a Piancó, na região do sertão, com 300 famílias no município de Catingueira.

As ocupações aconteceram nos municípios de São Mamede (70 famílias), de Imaculada (100 famílias), de Santa Terezinha (70 famílias), Santana dos Garrotes (60 famílias), no sertão. Foram ocupadas áreas na Região do Curimatau, no município de Algodão de Jandaira (60 famílias); no município de Boqueirão (75 famílias).

No Rio Grande do Sul, quatro rodovias foram bloqueadas por 19 minutos em memória dos trabalhadores rurais assassinados em Eldorado de Carajás, no Pará. Os bloqueios aconteceram na BR 356 em Nova Santa Rita e nas rodovias estaduais de Tupanciretã, Bossoroca e Nonoai.

Em Porto Alegre, os trabalhadores Sem Terras permanecem no Ministério da Fazenda. No final da tarde de ontem, desocuparam a Secretaria da Agricultura também se deslocaram para o Ministério. No total, 1.350 trabalhadores permanecem no local.

Em Pernambuco, cerca de 3 mil trabalhadores rurais sem-terra marcham pela capital Recife. Os trabalhadores estão concentrados na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), onde 700 Sem Terra estão acampados desde ontem.

Em Minas Gerais, mais de 500 trabalhadores e trabalhadoras sem terra ocupou a fazenda Correntes, no município de Jequitaí, Região Norte de Minas, que é improdutiva.

Em São Paulo, 400 trabalhadores rurais ocuparam a fazenda Saltinho no município de Americana, região de Campinas. A área de 216 hectares faz parte de um complexo de terras de 8,5 mil hectares utilizados indevidamente pela Usina Ester para o plantio de cana-de-açúcar.

Em Brasília, a Frente Parlamentar da Terra da Câmara dos Deputados promove atividade em torno dos 12 anos do Massacre de Eldorado de Carajás, com o seminário Direito de Propriedade: Violência e Impunidade. O ato contará com a presença do bispo Emérito de Goiás, d. Tomás Balduíno, e do Procurador do Estado do Paraná e professor titular de Direito Agrário da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Carlos Frederico Marés.

No Pará, 600 trabalhadores, mutilados e as viúvas dos agricultores assassinados no massacre de Eldorado dos Carajás, que acampam em frente ao Palácio dos Despachos no Pará, sede do governo do Estado, desde segunda-feira, fazem marcha pelo Centro da cidade. Os manifestantes cobram da governadora Ana Júlia Carepa (PT) o cumprimento de suas promessas de 2007.

Na curva do S, em Eldorado de Carajás, mil sem-terra fazem ato em memória dos 19 trabalhadores rurais assassinados em 1996. O acampamento montado às margens da Estrada de Ferro Carajás é do Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração (MTM), que faz uma jornada de lutas em defesa dos direitos dos garimpeiros e contra a exploração imposta pela Vale.