Meirelles participa de assembléia de governadores do BID em Miami

Agência Brasil

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, participará da reunião anual das assembléias de governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que será realizada de 4 a 6 deste mês, em Miami, nos Estados Unidos.

Meirelles terá encontros também com investidores, aos quais pretende mostrar que a economia brasileira oferece oportunidades e solidez para o capital internacional nos setores produtivos.

A reunião do BID contará com participação ainda do ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo. Ele vai sugerir à direção do banco que aumente os níveis de financiamento próprio ao setor privado, limitados a 10% dos US$ 80 bilhões em carteira, desde 2005. Como o presidente do BC, o ministro do Planejamento quer mais recursos externos em investimentos produtivos, de preferência naqueles que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Meirelles vai reafirmar que os fundamentos da economia nacional estão sólidos e que o ambiente de negócios no Brasil é cada vez melhor. O país está distante, por exemplo, da crise financeira provocada pelas hipotecas de alto risco (subprime), que atingiu principalmente os Estados Unidos e teve reflexos imediatos na Europa.

Algumas das instituições financeiras mais afetadas são européias, como os bancos UBS da Suíça e o Deutsche Bank da Alemanha, que ontem (1º) divulgaram notas de perdas contábeis de US$ 27,9 bilhões e de US$ 7,5 bilhões, respectivamente, desde que a crise eclodiu, em agosto do ano passado. Ontem também o The Wall Street Journal divulgou relação de 29 bancos norte-americanos e europeus que já perderam mais de US$ 140 bilhões com a crise financeira.

A maior perda, entre todas as instituições financeiras, foi do UBS, que tinha a pretensão de ser o maior banco de investimentos do mundo. Em seguida, de acordo com o jornal de Nova York, os maiores prejuízos foram contabilizados pelo Citigroup (US$ 21,2 bilhões), Merrill Lynch (US$ 19,4 bilhões) e Morgan Stanley (US$ 12,9 bilhões). Com eles, estão o Royal Bank of Scotland, com perdas contábeis de US$ 5,6 bilhões, e o Credit Suisse, com prejuízos de US$ 4,8 bilhões.

Há casos ainda de bancos que até quebraram, como o Bear Stearns, que já havia perdido US$ 2,75 bilhões e anunciado insolvência antes de ser comprado há duas semanas pelo JPMorgan, em negociação coordenada pelo Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos. O JPMorgan também já perdeu US$ 2,94 bilhões com a crise e recebeu recursos do FED para fechar a operação.

Meirelles dirá aos investidores internacionais que nada disso afetou a solidez dos bancos brasileiros que, ao contrário, continuam a expandir os níveis de crédito para quem quer investir na produção.