Pastoral protesta contra assassinato de sem terra no Paraná

Agência Brasil

BRASÍLIA - A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou nesta segunda-feira nota de repúdio ao assassinato de um líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná.

- A Coordenação Nacional da CPT exige rápida investigação deste crime e a punição exemplar dos responsáveis pelo mesmo. Não é admissível que em pleno século XXI os instrumentos da barbárie ainda sejam utilizados contra os pobres do campo e que os proprietários da terra criem e mantenham milícias privadas para garantir propriedades que não cumprem sua função social, como determina a constituição nacional - diz a nota.

Eli Dallemole, de 42 anos de idade, vivia com a mulher e três filhos no assentamento Libertação Camponesa, em Ortigueira. Ele liderava um acampamento na fazenda Compramil, próximo à BR 376, ocupada desde 2003 pelo MST.

Segundo a CPT, por volta de 19h30 de domigo homens encapuzados invadiram a casa de Dallemole e o executaram na presença dos familiares. A Pastoral relata ainda um ataque anterior de pistoleiros, em 8 de Marco, contra as 35 famílias acampadas na área. Queimaram todos os seus pertences.

- Crianças foram ameaçadas e arrastadas, e mulheres e homens espancados, ficando apenas com a roupa do corpo. As famílias expulsas foram acolhidas em assentamentos vizinhos - afirma a nota.

A prisão em flagrante de pelo menos sete pistoleiros que participaram do ataque às famílias foi, conforme a CPT, o que impulsionou ameças de morte a Eli Dallemole.

A atuação de milícias armadas na região já teria sido denunciada por famílias sem terra à Secretaria Especial de Direitos Humanos do Governo Federal.