Presídio 'blinda' Rocha Mattos de outros detentos

Portal Terra

SÃO PAULO - O ex-juiz federal João Carlos da Rocha Mattos está há mais de 400 horas isolado em uma cela da área de inclusão da Penitenciária Regional de Araraquara (SP) desde que foi transferido para um presídio comum, dia 13 de março, e perder o cargo de juiz. Apesar da definição de "preso comum", o ex-juiz recebe atenção especial e está "blindado" de qualquer contato com outros internos, segundo os agentes penitenciários.

Ele está afastado enquanto funcionários da prisão fazem uma lista com o histórico de toda a população carcerária, de quase 1,5 mil apenados, para identificar aqueles que foram condenados por Rocha Mattos quando era juiz. O objetivo é impedir uma possível tentativa de vingança.

- Ele sai da cela no máximo duas vezes por semana, para receber a visita da advogada - afirma um agente penitenciário que não quis se identificar. O funcionário chegou a acompanhar o ex-juiz da cela até o parlatório, área destinada dentro das prisões para o contato entre advogado e detento. Segundo ele, a conversa geralmente é rápida e não dura mais que poucos minutos.

- Aqui tem muito preso federal, mas, por enquanto, não encontraram nenhum inimigo - diz o funcionário. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), por sua vez, informa que não comenta assuntos relacionados à rotina das unidades prisionais e desconhece tal lista. A direção da unidade também não quis comentar o caso.

Enquanto isso, o ex-juiz permanece trancado o dia todo na cela, sem direito a banho de sol e atividades extras, como a prática de exercícios físicos. Ele está sem televisão e rádio. Porém, se quisesse, Rocha Mattos poderia pedir formalmente o ingresso no pavilhão, desde que assinasse um termo de responsabilidade.

Os próprios funcionários consideram que a lista é necessária para garantir a integridade do ex-juiz. Na última semana, a defesa de Rocha Mattos entrou com quatro pedidos de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

Agentes contam que ele se acostumou com a rotina na prisão comum. No primeiro dia, após raspar o cabelo comprido, reclamou da comida e teria feito algumas exigências não concedidas. Hoje, está disciplinado e não apresenta problemas, segundo os agentes. Ele foi preso em 2003, durante a Operação Anaconda, da Polícia Federal (PF), que desvendou esquema de negociações ilícitas entre criminosos e membros do Judiciário.