Parentes de vítimas de acidente da TAM acompanham investigações em SP

Flávia Albuquerque, Agência Brasil

SÃO PAULO - Parentes das vítimas do acidente com o Airbus da TAM, que colidiu com o prédio da empresa ao aterrissar no Aeroporto de Congonhas em julho do ano passado, reuniram-se neste sábado, para averiguar o andamento das investigações.

Durante o dia, os integrantes da Associação das Famílias e Amigos das Vítimas do Vôo TAM JJ3054 (Afavitam) participaram também de reuniões para tratar da criação da Câmara de Conciliação, que reúne Defensoria Pública, Ministério Público, Procon e Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) para intermediar as negociações de indenizações extra-judiciais.

Eles também receberam os pertences de seus parentes, que foram resgatados do local do acidente. No final do dia, eles participaram de manifestação no aeroporto, em conjunto com os parentes das vítimas do acidente com o vôo 1907, da Gol, ocorrido há 18 meses no norte de Mato Grosso.

Segundo o presidente da Afavitam, Dario Scott, a associação procurou sempre levar todas os esclarecimentos aos parentes das vítimas sobre as questões indenizatórias e deixar que cada família decida o que é melhor. Com relação à parte criminal, a associação insiste na apuração das responsabilidades de todos os que tiveram alguma participação no acidente. Apesar de destacar a presença de vários órgãos envolvidos nas investigações, Scott disse não enxergar em um curto prazo a punição dos culpados.

- É muita irresponsabilidade voar com o reverso pinado, descer em uma pista que tinha sido liberada sem uma obra concluída e com chuva. Mas essa é a minha opinião pessoal. Nós temos os órgãos investigando e esperamos que seja apurado o grau de responsabilidade de cada uma das entidades que contribuíram para que ocorresse esse acidente e que cada uma seja punida na Justiça - afirmou.

De acordo com ele, uma nova evidência sobre as gravações da caixa-preta do avião pode contribuir para o andamento das investigações, já que os parentes conseguiram fazer com que os 23 minutos de gravação que não tinham sido divulgados fossem disponibilizados.

- Mas agora faltam 90 minutos, porque ficamos sabendo que a caixa-preta desse tipo de aeronave grava duas horas e não 30 minutos. Então, ainda estamos no prejuízo. E estamos atrás de toda informação que puder contribuir para esclarecer o que aconteceu - acrescentou.

Scott lembrou que alguns parentes não receberam o CD com imagens dos pertences das vítimas, o que foi solicitado desde o início das investigações. E destacou que a maioria dos objetos e documentos recuperados está em péssimo estado, "mas a importância é emocional".

Os integrantes da Afavitam continuarão em São Paulo neste domingo, para reuniões internas e o recebimento de mais pertences das vítimas.