Enchentes isolam mais de 5 mil no sertão do CE

Portal Terra

FORTALEZA - A Defesa Civil do Ceará estima em 5 mil os desabrigados na região centro sul do Estado, devido à cheia do rio Salgado, que transbordou depois das constantes chuvas que atingem a área desde o último fim de semana. Pelo menos 12 barragens romperam e 15 açudes estão acima do nível normal.

Em algumas áreas só é possível ver o telhado das casas. A maioria dos moradores foi obrigada a abandonar as residências, mas alguns ainda resistem:

- Eu não vou sair daqui não. Dizem que a água tá baixando, então prefiro esperar - diz a aposentada Socorro Amorin, cuja casa ficou com água na metade da parede. A previsão da Fundação Cearense de Meteorologia é de mais chuva para a região, pelo menos nos próximos dias.

As lavouras foram destruídas pela força das águas. Um agricultor explicou que como os vegetais já estão há dois dias debaixo d'água, já não há como recuperar o investimento.

- A gente perdeu tudo, não tem o que fazer mais - lamenta. Os moradores estão espantados com o fenômeno, incomum no Sertão Central. Nas áreas urbanas a movimentação é intensa. Equipes da Defesa Civil tentam acomodar as famílias que ficaram desabrigadas em escolas municipais e estaduais.

Dona Antônia Pereira da Silva que mora há mais de 20 anos em Icó, um dos municípios mais castigados pelo transbordamento, garante que esta foi a pior enchente desde 1985. Algumas comunidades ficaram completamente isoladas: o socorro só chega de barco ou, onde a água está um pouco mais baixa, de trator.

Uma ponte na BR-116, que liga o Nordeste ao Sul do País por pouco ainda não foi coberta pela água. Uma multidão de moradores vigia o local, com medo que a enchente atinja a região central de Icó. Em Lavras da Mangabeira, a 417 quilômetros de Fortaleza, o centro da cidade ficou completamente debaixo d´agua.

A prefeitura decretou estado de calamidade pública: até o gabinete da prefeita ficou alagado. O governador do Ceará, Cid Gomes, visitou a área esta semana e o Governo Federal garantiu R$ 4 milhões, através de uma medida provisória, para compra de alimentos, lonas e roupas para os desabrigados.