Governo não vê razão para demitir assessora de Dilma

Portal Terra

BRASÍLIA - As denúncias do jornal Folha de S. Paulo sobre o envolvimento da principal assessora e braço direito da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, não provocam temor no governo, segundo auxiliares próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo esses interlocutores, não é uma denúncia da imprensa sobre o envolvimento da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, na produção de um suposto dossiê sobre gastos sigilosos com cartões corporativos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a ex-primeira-dama Ruth Cardoso que irá derrubá-la. Ela não deve deixar a Casa Civil na avaliação desses auxiliares de Lula.

O jornal apurou que partiu de Erenice a ordem para montar um dossiê contra FHC, Ruth e outros ministros da gestão anterior. As informações sobre gastos com cartões corporativos e contas tipo B (pagamentos de despesas oficiais por meio de apresentação de notas fiscais) da gestão de Fernando Henrique estavam sendo digitalizados para alimentar o Sistema de Suprimentos de Fundos (Suprim), mecanismo criado por orientação do Tribunal de Contas da União (TCU) para facilitar a fiscalização dos gastos da Presidência da República esses dispositivos. Um levantamento paralelo estaria sendo montado por ordem de Erenice segundo a denúncia da Folha de S. Paulo. Ele serviria para revidar os ataques da oposição na CPI mista dos Cartões Corporativos.

Os mesmos interlocutores negam que Erenice tenha convocado uma reunião com membros da Secretaria de Administração e da Secretaria de Controle Interno da Presidência para pedir os dados de fundo de suprimentos que serviriam para montar um levantamento paralelo ao Suprim contra a oposição.

A orientação da Casa Civil em relação ao caso ainda é levar adiante a sindicância iniciada nessa semana para apurar o vazamento das informações que estavam sendo coletadas para alimentar o Suprim. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, não há uma nova recomendação para que a atividade da secretária-executiva de Dilma seja apurada.

Na avaliação do Palácio do Planalto, as novas denúncias tentando envolver uma pessoa próxima à Dilma têm a ver com a disputa política.