Ministro defende expansão da indústria nuclear do Reino Unido

JB Online

RECIFE - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acompanhará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em visita ao canteiro de obras da Refinaria Abreu e Lima, no Complexo Portuário de Suape, em Pernambuco, nesta quarta-feira (26) à tarde.

A visita, no entanto, não significa que a Petrobras e a petrolífera venezuelano PDVSA tenham finalmente chegado a um acordo quanto à operação conjunta do empreendimento. Por enquanto, a parceria não passa de intenção.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o gerente-geral da refinaria, Ricardo Barreto, informou que a constituição de uma empresa mista ainda está em fase de estudos técnicos e as negociações dependem de acerto bilateral para a exploração de Carabobo 1, na Faixa do Orinoco.

- Continuamos em estudos, junto com a Venezuela, na formação de uma parceria para a refinaria aqui no Brasil e para a produção de petróleo na Venezuela. A princípio, nenhum acordo vai ser firmado - disse ontem (25) o gerente-geral da refinaria.

Em dezembro passado, durante visita do presidente Lula a Caracas, Petrobras e PDVSA anunciaram acordo quanto à participação acionária na Refinaria Abreu e Lima 60% da empresa brasileira e 40% da petrolífera venezuelana. Mas a parceria, efetivamente, não foi formalizada, esclarece o gerente-geral da refinaria.

Em setembro de 2007, diante do impasse entre os acionistas, a Petrobras decidiu começar sozinha as obras da refinaria e deu início à terraplanagem da área doada pelo governo de Pernambuco. Em dezembro, Lula e Chávez tentaram impulsionar a joint venture, mas o máximo que conseguiram foi a definição da participação acionária da futura parceria, caso venha a se concretizar.

A Petrobras, segundo Ricardo Barreto, está disposta a continuar sozinha no projeto de cerca de US$ 4,05 bilhões, com previsão de início das operações no segundo semestre de 2010.

- Em termos financeiros, é sempre bom poder dividir o investimento, mas não é fundamental. A Petrobras não requer, necessariamente, um sócio para conduzir essa refinaria - afirma Barreto, frisando que a Abreu e Lima sempre esteve no planejamento estratégico da Petrobras pois havia necessidade de uma nova refinaria no Nordeste.

- A todo momento se contemplava entre construir uma nova refinaria ou ampliar as existentes. Chegou o momento, na medida em que se esgotou a capacidade de ampliação - justifica.

A partir de 2011, operando em carga plena, a Refinaria Abreu e Lima terá capacidade de processamento de 200 mil barris de petróleo pesado por dia 100 mil do campo de Carabobo 1, e outros 100 mil de Marlim Sul, na Bacia de Campos. Cerca de 70% da produção serão de diesel derivado de maior consumo no país hoje. A produção se destinará basicamente aos mercados do Norte e Nordeste: norte de Alagoas, Paraíba, interior de Pernambuco, norte da Bahia e, por navio, Ceará, Pará e Maranhão, podendo chegar ao Centro-Oeste por São Luiz.

- Se o mercado ao crescer tanto quanto se imagina, se houver algum excedente, pode se destinar à exportação porque a qualidade do produto que vai ser feito aqui tem um padrão internacional - afirma o gerente geral da refinaria.

Ele assegura que o mercado brasileiro continuará sendo prioritário caso a PDVSA venha a integrar o projeto.

Nesta tarde (26), os presidentes Lula e Hugo Chávez sobrevoarão as obras da refinaria e visitarão o canteiro de obras, no Complexo Portuário de Suape, a cerca de uma hora de Recife. Depois, terão encontro privado na sede do governo de Pernambuco, simultaneamente à reunião de trabalho de ministros dos dois países. À noite, Lula e Chavez participam de jantar também no Palácio de Governo, com integrantes das comitivas brasileira e venezuelana e alguns empresários que estão na capital pernambucana para o Fórum Empresarial Brasil-México.