Cubanos refugiados querem fazer sucesso com a banda formada no Brasil

Sabrina Craide, Agência Brasil

BRASÍLIA - Os três músicos cubanos que tiveram o pedido de refúgio aceito, nesta sexta-feira, pelo Comitê Nacional de Refugiados (Conare) querem agora fazer sucesso com a banda que formaram no país, ao lado de mais um cubano e dois brasileiros. A banda BrasCuba toca principalmente música cubana de raiz. Em entrevista à Agência Brasil, o violonista da banda, Juan Alcides Díaz, disse que se sente o homem mais feliz do mundo com a decisão do Conare.

- É algo que esperávamos desde que chegamos ao Brasil, e sempre esperamos que a decisão final fosse positiva - disse.

Segundo ele, o objetivo agora é ampliar o repertório da banda, fazendo uma mistura de música cubana e brasileira.

- Vamos trabalhar muito a nossa música, que foi o que viemos fazer no Brasil - afirma. O vocalista da banda, Miguel Ángel Costafreda, agradeceu ao governo do Brasil pela decisão e ao povo brasileiro pelas demonstrações de carinho.

De acordo com o advogado dos músicos, José Antônio Ferreira, eles estavam sendo perseguidos politicamente em seu país pela opção de tocar música de raiz, anterior à revolução de Fidel Castro.

- Toda vez que eles tocavam músicas antigas, sofriam reprimendas, críticas, e algumas ameaças. Com a insistência, foram sendo ameaçados cada vez mais fortemente, chegando ao ponto da perseguição política - afirma. Segundo o advogado, o próximo passo é tentar trazer as famílias dos cubanos para o Brasil, que também poderão receber o refúgio.

O presidente do Conare, Luiz Paulo Barreto, diz que a decisão de aceitar o pedido de refúgio dos cubanos foi baseada em uma convenção da Organização das Nações Unidas de 1951, em uma lei brasileira de 1997 e no princípio do direito internacional humanitário.

Segundo ele, os cubanos terão os mesmos direitos civis que os brasileiros: poderão trabalhar, fixar residência, abrir conta em banco, ter carteira de trabalho e acesso a direitos como saúde e educação. Só não poderão exercer os direitos políticos, como votar, ser votado e assumir cargos públicos. Os cubanos também não podem praticar atos políticos, inclusive contra o país de origem.

- A proteção é humanitária. Em nenhum momento o Brasil poderia abrigar essas pessoas para que elas aqui exercessem qualquer tipo de proselitismo político, ação política contra o seu país de origem - explica Barreto.

Para viajar ao exterior, os cubanos terão que pedir autorização do governo brasileiro. Barreto garante que a aceitação do pedido de refúgio não terá impacto nas relações entre Brasil e Cuba.

- Não é de nenhuma maneira um ato inamistoso com relação a Cuba. O Ministério da Justiça tem as melhores relações com o governo de Cuba, estamos estreitando as relações. Mas é um princípio de direito internacional, a pessoa poder pedir refúgio em outro país quando sente uma divergência política - afirma.

Segundo Barreto, atualmente existem 3.510 refugiados de 50 nacionalidades no Brasil. Ainda há 49 pedidos de refúgio sendo avaliados pelo governo brasileiro.