Temporão: Violência dificulta combate à dengue no Rio

Agência Brasil

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou nesta quinta-feira que, se não houver uma grande mobilização da sociedade, a tendência é que o número de casos de dengue no Rio de Janeiro aumente. Outro problema apontado pelo ministro para controlar a doença são as regiões onde há influência de criminosos e altos índices de violência, o que dificulta a ação das equipes de saúde.

- O Rio de Janeiro é complexo, tem muitas comunidades onde o Estado não entra, por questões de violência ou de segurança, favelas onde dificilmente um agente de saúde consegue penetrar.

Além do tempo chuvoso, que contribui para a proliferação do Aedes aegypti, Temporão também disse que a falta de colaboração de muitos moradores, que não abrem suas casas aos agentes de saúde, também ajuda na infestação do mosquito.

Sem a participação das pessoas na "guerra" contra a dengue, Temporão afirmou que a doença poderá se agravar no Estado.

- A tendência seria nós termos um número maior de casos e um aumento nos casos graves, o que seria muito ruim. Por isso eu confio, com apoio da mídia, do trabalho técnico e da mobilização, que a gente consiga reverter esse quadro no Rio.

A Secretaria municipal de Saúde do Rio de Janeiro informou nesta quinta-feira que um surto de dengue atinge 15 bairros. As autoridades confirmaram 6.027 casos da doença desde o início do ano na capital - 14 são do tipo hemorrágica. A doença matou dez pessoas na região metropolitana do Rio. As informações são do RJTV.

Na sexta-feira, o ministro vai divulgar, no Rio, o balanço da dengue em todo o País e lançar uma campanha, em parceria com uma rede de lanchonetes, que vai disponibilizar materiais de divulgação contra a doença, em seus 553 restaurantes em todo o Brasil.

Temporão garantiu que o problema no Rio não é falta de recursos federais, mas reconheceu que há problemas de gestão.

- Estamos tentando enfrentar os problemas de gestão. A responsabilidade pela implementação das medidas de combate ao vetor é da prefeitura, com apoio do Estado e apoio técnico e financeiro do governo federal. Não tem nenhum sentido, neste momento, ficar dizendo quem é o culpado da situação. Isso não nos leva a uma solução. Temos um problema no Rio: ao invés de melhorar, piorou - afirmou o ministro.

Temporão participou da solenidade de entrega do Prêmio Nacional da Gestão Pública ao Instituto de Hematologia (Hemorio) ao lado do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.