Jucá: pedido de CPI rasurado será reapresentado

Portal Terra

BRASÍLIA - O líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou na tarde dessa sexta-feira que reapresentará o pedido de CPI para investigar os gastos com os cartões corporativos do governo na próxima segunda-feira. Porém, ele afirmou que manterá o pedido rasurado à mão que gerou polêmica no Senado ontem. Segundo ele, os acréscimos feitos posteriormente à coleta de assinaturas dos senadores não caracterizam adulteração e o documento será aceito pela mesa diretora da Casa.

- Eu já enviei cartas aos senadores da base que assinaram o pedido de CPI informando as modificações feitas e 22 deles já autorizaram a manutenção do seu apoio à abertura da CPI.

Para criação de uma CPI são necessárias pelo menos 27 assinaturas de apoio.

Segundo ele, não estão sendo levados em conta os apoios conseguidos entre a oposição.

- Eu não estou levando em conta as assinaturas dos senadores do DEM e do PSDB que estavam no primeiro pedido. Se eles retirarem o seu apoio eu vou achar estranho, mas consigo o apoio necessário na base - ironizou o líder do governo.

O líder do governo também disse que a polêmica em torno da criação de uma CPI Mista para investigar os cartões e uma no Senado se resume à paternidade da iniciativa.

- É só eles assumirem o meu pedido e todos podem assumir a paternidade - afirmou.

Os senadores de oposição reclamam que Jucá está propondo uma CPI muito abrangente e envolve gastos que são feitos sem o cartão, como as devoluções de gastos através da apresentação de notas fiscais, conhecido como "gastos do tipo B". O senador governista inclui no seu pedido a investigação dos gastos de toda a União com cartões. Ou seja, despesas do "tipo B" ou com cartões do Judiciário e do Legislativo.

Essa abrangência incomoda a oposição. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), por exemplo, diz que o governo usa uma tática diversionista para impedir a investigação.

- Querem uma CPI que não investigue nada - disse.

O PSDB também não quer que a investigação abranja o período do governo Fernando Henrique Cardoso, como propõe Jucá.