Especialista acha injustificado esconder gastos do cartão corporativo

JB Online

BRASÍLIA - Não há justificativa para esconder gastos. É esta a avaliação do diretor-executivo da Organização Não-Governamental (ONG) Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, diante da polêmica levantada pela divulgação, no Portal da Transparência da Controladoria Geral da União (CGU), de gastos de funcionários públicos com o cartão corporativo.

- Quando o cartão foi introduzido, em 2001, um dos argumentos principais era de que reduziria os custos de transação, o custo burocrático, o que parecia ser um argumento razoável. A gente não pode condenar o cartão antes de saber se, de fato, veio trazer ou não melhor eficiência - disse Abramo nesta quinta-feira em entrevista à Rádio Nacional.

Dados divulgados pelo Portal Transparência indicam que o cartão corporativo vem sendo utilizado para compras e saques em dinheiro. Para o especialista, a situação deve ser encarada friamente , sem que se caia em uma luta política entre governo e oposição ou mesmo em simples moralismo.

- Essa análise é a única coisa que poderá nos informar se o uso do cartão está sendo intrinsecamente ruim ou bom. Não adianta ficar chutando, dizendo 'Não é possível' sem ter essa informação.

Diante da problemática, alguns parlamentares têm buscado apoio para abertura de uma CPI para apurar os gastos. Nesta quarta-feira o governo publicou um decreto para tentar evitar novos problemas com o uso dos cartões corporativos. Dentre as medidas, os saques foram limitados a 30% do valor total, reservado para despesas emergenciais.

- Tem que tomar cuidado com esse tipo de coisa porque pode condenar o uso de um instrumento com base em informações insuficientes. A gente pode esperar que vai haver muito aquecimento em torno da questão mas pouca luz.

Abramo discorda da utilização de casos como o da ministra da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, em disputas políticas, mas reconhece que a associação acontece, sobretudo em ano de eleições municipais, previstas para outubro.

- Na política, tudo se usa. Não acho isso natural. Os políticos deveriam não se aproveitar desse tipo de situação para objetivos que não são aqueles que refletem a melhor maneira de administrar o país. Mas aquilo que a gente gostaria não é o que os políticos fazem.

Diante do caso que envolve gastos possivelmente excessivos com o cartão corporativo pela segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus familiares, Abramo reforça que não há justificativa para esconder gastos.

- Se existem despesas que precisariam ser mantidas em sigilo por causa da segurança dos familiares do presidente, do próprio presidente, de ex-presidentes, essas despesas tem que ser realizadas de outra forma e não meramente dando um cartão na mão de alguém que não vai prestar contas.