Viúva de fiscal assassinado em Unaí cobra rapidez da Justiça

Agência Brasil

BRASÍLIA - Na véspera de a chacina de Unaí (MG) completar quatro anos, Helba Soares da Silva, viúva do auditor fiscal do trabalho Nelson José da Silva, um dos quatro assassinados, revisitou o local do crime. Lá, numa estrada de terra na Fazenda Bocaína, a quatro quilômetros da BR-251, onde há uma cruz simbolizando cada uma das vítimas, ela cobra rapidez no julgamento dos acusados. Dizendo ter feito tudo o que podia, ela vê as esperanças indo embora.

- Se não sair o julgamento esse ano, minha esperança acaba. Porque já procuramos quem tínhamos que procurar, já tivemos com várias autoridades do judiciário em Brasília e vemos que não adianta. Vamos falar amanhã com o ministro da Justiça [Tarso Genro], mas acho que vai ser a última vez que vou atrás de alguém para tentar acelerar o julgamento - diz.

O local da emboscada fica a 40 quilômetros de Unaí. Na ocasião, o motorista Ailton Pereira de Oliveira, mesmo baleado, conseguiu dirigir a caminhonete com o grupo por sete quilômetros, até um trevo onde conseguiu ajuda e foi levado para o hospital. Ele não conseguiu resistir, mas deu informações que ajudaram a chegar aos pistoleiros.

Apesar do receio de represálias, Helba continua morando em Unaí.

- Tenho muito medo [de viver em Unaí], mas tenho mais medo de sair da cidade. Acho que seria mais fácil para eles [os assassinos] fazerem qualquer coisa comigo longe de Unaí - explica.

A viúva também teme que, saindo da cidade, as pessoas esqueçam a chacina, o que, segundo ela, aumenta o risco de impunidade. Para Helba, os únicos condenados até o momento foram as vítimas.

- A condenação até agora foram só dos quatro: dos três auditores e do motorista. Eles sim, foram condenados, estão debaixo da terra, não têm mais chance nenhuma. O resto, não. Estão vivendo do jeito que querem - ressalta.

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