Morales pede que Brasil e Argentina não sejam 'egoístas' em energia

Agência EFE

BUENOS AIRES - O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta sexta-feira ao Brasil e à Argentina que não se pode ser "egoísta" em matéria de energia e convidou-os a decidir em grupo como conseguir um "equilíbrio" entre o volume de gás natural disponível no país andino e a crescente demanda nas duas nações vizinhas.

Morales se reuniu em Buenos Aires com a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, a quem convidou para uma reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, previamente chamado para o mesmo encontro.

O governante boliviano disse que Cristina e Lula ainda não deram uma resposta ao convite, mas ressaltou que a espera "respeitosamente" e que serão eles os que dirão quando a reunião acontecerá.

- No tema da energia, deveríamos atuar com certo equilíbrio, não prejudicar ninguém, não nos prejudicarmos, mas atender à demanda. Pode haver uma emergência durante o inverno e estamos buscando uma reunião trinacional para, desde agora, nos prepararmos para o inverno - disse Morales em entrevista coletiva.

A produção boliviana de gás, que atualmente beira os 40 milhões de metros cúbicos, subirá este ano para 42 milhões. Mas, ainda assim, ficará abaixo da demanda total - interna e externa - de aproximadamente 46 milhões de metros cúbicos.

O presidente boliviano acrescentou que, para o alcance de um acordo entre os três países, "é preciso elaborar relatórios técnicos" sobre a capacidade de produção e as necessidades de abastecimento de cada nação para, assim, "chegar a um equilíbrio".

- As demandas por gás no Brasil, na Argentina e também na Bolívia vão continuar crescendo - ressaltou Morales, enfatizando a necessidade de o tema ser abordado de forma imediata e conjunta.

Atualmente, a Bolívia envia 30 milhões de metros cúbicos diários de gás ao Brasil. Além disso, tem um acordo para fornecer outros 7,7 milhões metros cúbicos ao dia para a Argentina, embora só distribua 2,7 milhões.

Ainda em relação à Argentina, em 2006 foi assinado com a Bolívia um acordo a partir do qual, de 2011 em diante, o país andino enviará 27,7 milhões de metros cúbicos diários de gás à nação vizinha, 20 milhões dos quais chegarão pelo futuro gasoduto do Nordeste.

Nesta sexta-feira, Morales e Fernández participaram da entrega de propostas da argentina Siat e da mexicana Tubacero para o fornecimento dos dutos de aço que serão usados na construção da tubulação.

- Também podemos dizer com orgulho que a Argentina paga o melhor preço por seu gás à Bolívia - acrescentou o governante, em aparente referência ao menor preço pago pelo Brasil.

Morales disse ainda que "os volumes de produção aumentam com investimentos", os quais seu governo "pede respeitosamente que sejam acelerados e ampliados".

O chefe de Estado também destacou que, este ano, o investimento público e privado no setor de hidrocarbonetos da Bolívia chegará à soma recorde de US$ 1,3 bilhão, mais que o dobro dos US$ 600 milhões recordes aplicados em 1998.

No ano passado, a Bolívia descumpriu várias vezes seus contratos com o Brasil e a Argentina devido à estagnação dos investimentos, atribuída pelas empresas às mudanças nas regras após a nacionalização do setor, decretada em maio de 2006.

Em 2007, os investimentos em hidrocarbonetos na Bolívia totalizaram US$ 200 milhões. Mas este ano, segundo Morales, esse valor pode chegar a US$ 1,5 bilhão, caso o Governo feche novos acordos, como o que está sendo negociado entre o Irã e a estatal venezuelana PDVSA.

Ainda nesta sexta-feira, Morales viajará para Caracas, onde participará da cúpula dos países da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba), promovida pelo presidente da Venezuelano, Hugo Chávez.

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