Argentinos mudam a rotina de Florianópolis

Fabrício Escandiuzzi, Portal Terra

FLORIANÓPOLIS - Os turistas argentinos chegaram em peso ao litoral de Santa Catarina neste início de verão e se transformaram nos responsáveis pela mudança de cenários de algumas praias. Balneários conhecidos como redutos dos "hermanos", como Canasvieiras, no norte de Florianópolis, e Balneário Camboriú, já estão repletos de visitantes do país vizinho.

E é muito fácil identificá-los nas praias: grupos com jovens de cabelos compridos ou cortados no estilo moicano, um copo de caipirinha sempre por perto, além de vestirem camisetas de clubes de futebol da Argentina ou da Europa. Entre as mulheres, a identificação começa pelos biquínis usados, que na maioria das vezes são maiores do que as brasileiras costumam usar. Muitas das argentinas também mantêm um costume diferente, que é o de caminhar pelas praias com roupas comuns.

Na capital catarinense, os comerciantes de Canasvieiras adotaram o "portunhol" (português misturado com espanhol) há muitos anos. Os cardápios de praticamente todos os restaurantes e os letreiros de alguns estabelecimentos comerciais também são escritos em espanhol. Até mesmo os ambulantes de praia arriscam falar o idioma dos turistas.

- Se não falar, nem que seja um portunhol, não sobrevivemos - conta Maria José Barroso, que vende passeios de barcos e oferece traslado para que os argentinos curtam a noite em boates.

Na década de 90, com o país numa estável condição financeira, eles praticamente dominaram o bairro. Compraram imóveis de veraneio, montaram pousadas, lojas e empreendimentos imobiliários. Depois da crise de 2001, eles começaram a voltar a passar férias no país, mas ainda é comum flagrá-los com calculadora nas mãos para fazer contas antes de qualquer compra.

Em Canasvieiras ainda existem outras diferenças: ao invés do frescobol, esporte mais praticado nas areias de Florianópolis, os argentinos preferem jogar futebol ou vôlei. Na hora de comer, poucos compram milho verde, amendoins ou queijo como ocorre em quase todo o litoral brasileiro.

A preferência absoluta é o chamado choripan, um sanduíche recheado com lingüiça, cebola e pimentão assado na hora em carrinhos com churrasqueira improvisada que circulam pela praia.

Diferenças à parte, o turista argentino movimenta economicamente vários pontos do litoral catarinense. E em Florianópolis, gostam de curtir a noite e de conhecer as mulheres brasileiras.

- Estou encantado pela noite, pelas mulheres e pela caipirinha feita no Brasil, diz o estudante Herman Uranga, de 24 anos, morador de Córdoba.

- Também quero levar uns CDs da Ivete Sangalo e de outras músicas brasileiras.

- O argentino é muito importante para a nosso turismo - diz Valdir Walendowsky, presidente da Santur (Santa Catarina Turismo), órgão responsável pelo fomento da atividade no estado.

Ainda não existem dados oficiais sobre o número de visitantes no litoral catarinense, mas o governo já fala em crescimento se comparado ao ano passado.

- Temos ocupação nos principais balneários oscilando entre 90 a 100% - disse.

Além disso, segundo ele, um levantamento preliminar feito pelas polícias rodoviárias apontou um crescimento impressionante no número de argentinos que foram de carro para Santa Catarina.

- O movimento no Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, cresceu 17% em todo o ano de 2007. É um indício, visto que muitos chegaram antes do réveillon.