Supostos líderes do PCC serão transferidos, afirmam agentes

Cláudio Dias, Portal Terra

ARARAQUARA - Os dois presos supostamente ligados à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) que foram transferidos para a Penitenciária Regional de Araraquara, no interior de São Paulo, não ficarão por muitos dias no presídio. Segundo informações passadas por agentes penitenciários, ambos continuam isolados na área de inclusão e serão novamente remanejados para uma outra unidade de segurança máxima, apesar do risco que envolve o deslocamento dos condenados.

Fabiano Alves de Souza, conhecido como Paca ou Biano, e Roberto Soriano, o Betinho Tiriça, foram transferidos às pressas na noite da última sexta-feira da Penitenciária de Avaré, após uma denúncia de resgate.

A data do novo deslocamento não foi divulgada por questões de segurança. O destino da dupla ainda não foi acertado pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), que disse ainda que não vai comentar a transferência de presos.

Sem notícia dos membros de chefia da facção, alguns detentos que tem livre acesso nas prisões fizeram um protesto e não voltaram às celas depois do banho de sol. Mais de 30 unidades registraram o ato. Os dois detentos de Araraquara estão sem comunicação externa, e só um chefe de turno dos guardas tem contato com os condenados.

A nova transferência dos detentos tem como objetivo limitar o contato deles com presos de Araraquara que, na grande maioria, não tiveram condenação e estão há pouco tempo no sistema. As autoridades de segurança acreditam que, sem um representante forte do PCC, diminuem as chances de articulações de tráfico de drogas e a aquisição de telefones celulares na penitenciária.

Na quinta-feira, através do telefone celular, um preso que cumpre pena no interior de São Paulo contou que o protesto foi articulado somente para conseguir uma resposta do Estado em relação ao paradeiro dos colegas. "Ninguém quer fazer rebelião porque já perdemos muito no passado", afirmou o detento.