SP terá radares de semáforo com visão noturna

Portal Terra

RIO - A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo tem atualmente 84 sensores de monitoramento de semáforos vermelhos instalados em cruzamentos da cidade. Quem é pego cruzando o semáforo paga multa de R$ 191,54 e perde sete pontos na carteira de habilitação. No ano passado, a multa foi aplicada 157.461 vezes. Se todas tiverem sido pagas, o valor ultrapassa os R$ 30 milhões. A prefeitura pretende instalar mais 40 equipamentos até março do ano que vem. Alguns deles estarão aptos a captar infrações à noite, o que os atuais não fazem. Para os paulistanos, restará o dilema entre ser multado ou assaltado.

O radialista Maurício Bouzon Diament, 24 anos, afirma que, entre o risco da multa e o do roubo, principalmente de madrugada, fica com o primeiro.

- Se a rua estiver deserta, não tiver carros passando, e eu achar que há algum risco de assalto, passo no vermelho.

Mas para o consultor de segurança e ex-delegado Jorge Lordello, a melhor forma de evitar os assaltos à noite ou de madrugada é evitar pegar os semáforos vermelhos.

- Quando você vai passar no vermelho, de uma forma ou de outra precisa parar para olhar o cruzamento, e aí pode acontecer a abordagem. O melhor é dirigir focalizando os semáforos à frente e reduzir a velocidade até que a luz fique verde - recomenda.

A mesma orientação é dada pelo engenheiro Luiz de Carvalho Montans, especialista em segurança no trânsito da CET. Ele afirma que a companhia coloca semáforos no modo "amarelo piscante" entre as 23h e 6h quando possível e que, nos cruzamentos nos quais isso não pode ser feito, o ciclo dos semáforos é diminuído para que as pessoas esperem menos. "Não recomendamos ninguém a passar no semáforo vermelho porque, além da segurança, a pessoa pode ser multada por um dos agentes", pondera Montans.

A CET prioriza os cruzamentos com maiores riscos de acidentes entre os cerca de cinco mil existentes na cidade para a colocação dos fiscalizadores eletrônicos. São poucos diante do total, e a proporção de infrações registradas por eles é bem menor do que a de multas aplicadas por um dos 1,8 mil "marronzinhos".

A aposta é que os fiscalizadores eletrônicos diminuirão a sensação de impunidade e, conseqüentemente, as infrações.

- A população deve se convencer de que o desrespeito à lei significa colocar vidas em risco", diz o presidente da empresa, Roberto Scaringella.

Passar no semáforo vermelho foi apenas a quinta maior causa de multas no primeiro semestre deste ano, com 86.896 registros, ou 4,3% do total. Antes, vieram desobediência ao rodízio (630.061 multas, ou 31,7% do total), excesso de velocidade (563 mil multas, ou 28,3%), estacionar em local proibido (340,8 mil, ou 17,1%) e dirigir usando o telefone celular ao volante (122,3 mil, ou 6,1%).

Lordello destaca que, caso não seja possível evitar o semáforo e a abordagem ocorra, o melhor é não reagir e nem mesmo negociar com os assaltantes.

- Às vezes as pessoas relutam em entregar um computador por conta da informação que tem dentro, ou uma jóia por ter valor sentimental. Isso irrita o assaltante. É preciso saber que, naquele momento, o que há de mais importante é a vida.