Polícia ouve duas testemunhas sobre o caso Júlio Lancelotti

Portal Terra

SÃO PAULO - Policiais do setor de Investigações Gerais da 5ª Seccional da Polícia Civil de São Paulo ouvem nesta segunda-feira duas testemunhas ligadas ao caso do padre Júlio Lancelotti. De acordo com o delegado André Luiz Pimentel, uma delas é uma pessoa citada pela ex-funcionária da entidade social 'Casa Amiga' que teria visto o padre em suposto ato libidinoso com um adolescente.

A outra testemunha é um vizinho do ex-interno da Febem (atual Fundação Casa) Anderson Marcos Batista, a quem o padre acusa de tentativa de extorsão. Ele teria visto Batista, recebendo um envelope supostamente com dinheiro. O delegado não informou o teor dos depoimentos.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada no dia 17 de outubro, o padre disse que a extorsão começou logo após Batista sair da Febem, local onde se conheceram. O jovem teria pedido ajuda para refazer sua vida, conseguir local para morar e trabalho.

Há sete anos, o religioso conseguiu moradia e ajudou no aluguel de Batista, que foi incluído em uma frente de trabalho da prefeitura. A extorsão teria começado quando o jovem disse que queria ter uma bicicleta. Segundo o padre, da bicicleta foi para uma moto, depois para um carro.

Nos últimos três anos, as quantias que iniciaram com R$ 300, R$ 500, começaram a ficar muito elevadas, chegando a R$ 10 mil, R$ 20 mil, R$ 40 mil. Lancelotti teria gastado todas as suas economias e pedido empréstimos a amigos para juntar os valores.

O religioso diz também que a mulher de Batista o ameaçou usando o próprio filho. Dizia que se ele não conseguisse os valores pedidos pela quadrilha, iria à imprensa denunciá-lo por pedofilia e que seu filho iria confirmar

Anderson Marcos Batista e Evandro dos Santos Guimarães, suspeitos de extorquir o padre Lancelotti, foram transferidos nesta manhã do 31º Distrito Policial para o Centro de Detenção Provisória do Belém, na zona Leste da capital paulista. Antes da transferência, por volta das 11h30, eles passaram no Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito.