Eficácia do câmbio flutuante aparecerá neste nesta crise, diz Mantega

Agência Brasil

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou na noite de quarta-feira que a economia brasileira não vai ser abalada pelos efeitos da crise mundial e citou o câmbio flutuante como um dos responsáveis por essa condição. - O Brasil possui mecanismos que neutralizam essas mudanças que poderão ocorrer no cenário mundial. Como nós temos hoje uma taxa de câmbio flutuante, agora ela vai mostrar por que é eficiente - afirmou o ministro. Ele acrescentou que a flutuação 'cria um novo equilíbrio cambial que talvez acuse uma redução do preço das commodities, que é alto há vários anos, porém ela pode beneficiar o setor manufatureiro'.

Em entrevista antes de discursar na solenidade de entrega do Prêmio de Excelência Empresarial da Fundação Getúlio Vargas, Mantega admitiu a possibilidade de um saldo comercial menor. 'Nesse caso, teremos então uma mudança da taxa cambial que vai favorecer outras exportações, mas toda a perda que possamos ter no comércio internacional será compensada na demanda interna. Então, haverá um desvio de demanda para o mercado interno', afirmou. O ministro disse que ainda é cedo para prever os efeitos da crise, mas a economia brasileira não deverá ser muito afetada caso ocorra uma desacelaração da economia mundial: 'Mesmo que haja essa desaceleração, pelas condições específicas do Brasil e pelo dinamismo nosso no mercado interno, acredito que não teremos desacelaração do crescimento no Brasil'.

Segundo Mantega, não será necessário aumentar juros ou fazer um ajuste fiscal de emergência. - Não precisamos elevar os juros para atrair capitais de fora porque as nossas contas externas estão muito saudáveis. E continua havendo um fluxo positivo de dólares no Brasil - disse. Ele considerou uma 'medida positiva' a decisão do Federal Reserve ño equivalente ao Banco Central nos Estados Unidosí de colocar mais recursos em circulação, o que acalmou os mercados. - Isso não significa que a turbulência terminou, mas continuo afirmando: vai afetar muito pouco o crescimento brasileiro. Nossa discussão é: será que vamos crescer 4,5 ou 5%? O Brasil tem condições excepcionais, tem uma posição bastante sólida para passar por uma turbulência como essa - afirmou. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, também participou da entrega dos prêmios, realizada na sede da Federação do Comércio do estado de São Paulo (Fecomércio).