Controladores temem relatar incidentes, diz sargento

Agência Câmara

BRASÍLIA - Sargento Carlos Trifilo diz que salário não é a principal reivindicação dos controladores.

O presidente da Federação das Associações Brasileiras de Controladores de Tráfego Aéreo (Febracta), 1º sargento Carlos Trifilio, afirmou que os controladores de vôo são intimidados a evitar o relato de incidentes aéreos. Trifilio disse que, em julho, um avião quase se chocou com outro e isso não teria sido relatado. O sargento depõe neste momento na CPI da Crise Aérea.

Na reunião, o deputado Ivan Valente (Psol-SP) questionou Trifilio sobre a existência de uma freqüência especial para ser acionada após tentativas frustradas de contato com uma aeronave, evitando colisões como a do avião da Gol com o Legacy, em setembro do ano passado. O militar respondeu que esse sistema existe, mas ressaltou que os controladores, em sua maioria, não possuem treinamento para operá-lo.

O deputado Vic Pires Franco (DEM-PA) perguntou sobre as paralisações dos controladores de vôo, que desrespeitam a hierarquia militar. O parlamentar lembrou que, na visita que fez ao 1º Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta 1), constatou que a principal reivindicação dos controladores era salarial. Ele também questionou o fato de os problemas de tráfego aéreo terem sido relatados somente após o acidente com o avião da Gol.

Em resposta, Carlos Trifilio reafirmou que o problema da categoria não é salarial. Ele também disse que defende a hierarquia militar, mas ressaltou: "Prefiro ser tachado de indisciplinado do que de assassino."

A CPI está reunida no plenário 2.