Controladores negam saber de norma da Anac de pouso em pista molhada

Agência Brasil

BRASÍLIA - Os controladores de vôo Ziloá Miranda Pereira e Eduardo Carlos Pires Dayrell depuseram nesta segunda-feira, no 27º Distrito Policial do Campo Belo, na zona sul de São Paulo, dentro do inquérito que investiga as causas do acidente com o Airbus A320 da TAM.

No depoimento, ambos negaram ter conhecimento da norma da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de que os pousos no Aeroporto de Congonhas estariam proibidos caso a pista principal estivesse molhada e a aeronave estivesse sem a potência total dos reversos, como era o caso da aeronave acidentada.

Os controladores de vôo disseram que os pilotos do avião da TAM não reportaram nenhum problema no vôo no dia do acidente, que vitimou 199 pessoas. Em depoimento ao delegado Antonio Carlos Menezes Barbosa, responsável pela investigação policial do caso, Pereira disse que não foi reportado qualquer tipo de problema, tudo transcorreu normalmente.

Os dois controladores trabalham no Controle de Aproximação de Congonhas que, segundo eles, monitora as aeronaves quando estas se encontram a cerca de 100 quilômetros da capital. O pouso das aeronaves em Congonhas, no entanto, é de responsabilidade da torre de controle do aeroporto. Durante o depoimento, os controladores disseram que foram informados sobre a interdição da pista principal do aeroporto, cerca de uma hora e meia antes do acidente, para que a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) pudesse analisar as condições da pista.

No dia 24 de julho, técnicos da Infraero prestaram depoimento no 27º DP e confirmaram ter feito uma inspeção na pista principal antes do acidente, constatando que ela estava molhada, mas com condições de pouso. Pereira disse ao delegado que, quando manteve contato com a aeronave, a tripulação foi avisada sobre as condições da pista que, segundo ela, estava molhada, mas não escorregadia. Dayrell, que também prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo, disse ainda que vários pouso e decolagens foram realizados após a liberação da pista pela Infraero, no dia do acidente.

Na segunda-feira, dia 20, o delegado Barbosa ouviu os depoimentos de dois pilotos da TAM que fizeram o trajeto Congonhas/Confins (BH) e Confins/Congonhas utilizando o Airbus A320 da companhia, antes de a aeronave ter sido entregue para o comandante Kleyber Lima e para o co-piloto Henrique Stephanini di Sacco, que comandaram a aeronave no momento do acidente.

Os pilotos relataram ao delegado que houve mudanças, em fevereiro deste ano, no manual do Airbus sobre a posição do reverso. Até então, segundo os pilotos, a determinação era de que o manete correspondente ao reverso pinado (travado) fosse colocado sempre na posição idle (ponto morto) e em posição de reverso, caso este estivesse funcionando. Depois, o manual passou a determinar que os dois manetes do avião ficassem na posição reverso, estando pinados ou não.

Em depoimento, um dos pilotos disse ter seguido a determinação antiga do manual para pousar no aeroporto de Congonhas no mesmo dia do acidente, por volta das 14h30. A decisão, segundo ele, foi tomada por considerar o procedimento mais seguro em razão da pista molhada e escorregadia que estava em Congonhas no momento do pouso.

Os dois pilotos disseram ainda, não acreditar na hipótese de falha humana no acidente e reclamaram das condições da pista do aeroporto que, segundo eles, é curta e escorregadia, mesmo depois da reforma. Nesta quarta-feira, a partir das 14 horas, a polícia vai ouvir os depoimentos de Carlos Domingos Alves Júnior e de Luana Moreira Maciel, controladores da Torre de Controle do aeroporto e que monitoraram o avião da TAM antes do acidente.