Lula lança Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania

Carla Andrade, Agência JB

RIO - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, acabam de participar da cerimônia de lançamento do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), no Palácio do Planalto.

Aprovado pelo presidente Lula em 31 de maio, o Programa pretende articular políticas de segurança pública com ações sociais no combate à violência e à criminalidade.

Onze regiões metropolitanas com os maiores índices de criminalidade do país, de acordo com os ministérios da Justiça e da Saúde, serão beneficiadas com a iniciativa.

De acordo com o ministro da Justiça, Tarso Genro, "são aproximadamente 99 ações e projetos que já foram experimentados em algum lugar na América Latina ou no Brasil". Para ele, a partir de agora as questões de segurança não são apenas de polícia. São questões sociais .

- Pretendemos chegar nos Estados, mostrar o projeto e dizer que poderão ser aplicados e que temos os recursos disponíveis. A função dos Estados é vital para esse projeto. Se não houver interesse dos governadores, esse programa terá só a metade do seu sucesso. Os municípios passam a ser sujeitos ativos da segurança pública, porque as guardas municipais podem ser integradas em políticas preventivas - disse Tarso Genro.

Algumas das ações entrarão em vigor logo após o lançamento do projeto, que recebeu o montante de R$ 6,707bilhões, o maior já aplicado pelo governo federal na área de segurança pública. Os recursos não fazem parte do orçamento tradicional do Ministério da Justiça.

- Tenho certeza que estamos iniciando uma mudança de paradigma na segurança desse País afirmou o ministro da Justiça.

Depois do discurso de Genro, foi a vez do presidente Lula colocar suas impressões sobre o Pronasci. Para ele, o plano integra uma gigantesca ofensiva para devolver o direito à vida e ao sonho para a grande maioria do povo brasileiro .

- Sabemos que o crescimento é indispensável para acelerar a inclusão social, mas ele não é suficiente para corrigir desequilíbrios seculares, dos quais a violência é o efeito colateral comentou o presidente.

Lula frisou que não adianta muito fazer programas de combate à violência sem pensar nas ações sociais. Ele reafirmou que nos próximos quatro anos, o governo, com recursos do PAC vai investir R$ 146 bilhões em saneamento e habitação.

- Essa é uma experiência que precisamos fazer dar certo. Precisamos provar que ao urbanizar uma favela, se não levarmos a escola, o posto médico, a área de lazer, não daremos conta de resolver os problemas que o Pronasci detectou. O que estamos deflagrando não é tão somente uma agenda de governo. Talvez seja a mais séria disputa da nossa geração, da qual depende a convergência do nosso futuro e a unidade do nosso País comentou Lula.

Ele garantiu que a intenção do programa é apertar o cerco do Estado contra o banditismo e que o governo fará o possível para vencer a geografia da violência e da criminalidade .

Para os descrentes, o presidente mandou um recado. Lula disse que quando o Fome Zero foi lançado, muitos disseram que não daria certo e como ele fez um curso de perseverança manteve a ação e hoje se orgulha ao afirmar que o programa está funcionando muito bem.

- No Brasil, estamos com a mania de torcer pela desgraça. Se criarmos em torno do programa uma corrente positiva, não há por que não dar certo - afirmou Lula.

Estiveram presentes no lançamento, ministros, governadores de diversos estados brasileiros, senadores, deputados, representantes da Polícia Federal e do Movimento Viva Rio.