Especialista diz que caso Calheiros toma rumo definitivo

Portal Terra

BRASÍLIA - Há mais de dois meses sob pressão dos senadores, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), enfrenta uma semana decisiva. O cientista político da Universidade de Brasília (UNB), Leonardo Barreto, avalia que a chegada da perícia dos documentos de defesa do senador trará algo concreto para acusações, que até agora caminham sem provas.

A chegada da perícia no Conselho de Ética está marcada para terça-feira. Além desse processo, Calheiros responde ainda por outros dois, um que investiga se ele teria beneficiado a empresa de bebidas Schincariol e outro se ele teria usado "laranjas" para comprar emissoras de rádio.

- Finalmente o Senado irá trabalhar dentro de algo material, pois até agora são apenas denúncias, sem provas. Esse é sem dúvida o principal fato político da semana e, por isso, a situação toma um rumo definitivo - afirma o especialista.

Na avaliação do professor da UNB, se a perícia realmente apresentar inconsistência no crescimento patrimonial de Calheiros, os senadores terão subsídios para pedir a cassação do parlamentar. Barreto acredita ainda que, esperando por isso, o presidente da Casa já armou a sua defesa. Em sua opinião, no entanto, as novas afirmações não vão ter boa aceitação no Congresso.

- Sabendo que a PF vai apontar inconsistências, ele (Calheiros) já está ensaiando a sua defesa, que é falar que o problema nos documentos é do frigorífico para onde vendia carnes. Mas eu entendo que não vai haver uma boa aceitação dos senadores, pois essa resposta é muito fraca - analisa Barreto.

O professor avalia ainda que dois relatores da primeira representação contra o senador - que investiga se ele teve contas pessoais pagas por um lobista -, Marisa Serrano (PSDB-MT) e Renato Casagrande (PSB-ES), já têm seu voto pronto. Ao contrário do terceiro relator, Almeida Lima (PMDB-SE), que deve pedir a absolvição, Barreto acredita que os dois vão pedir a perda de mandato.

Para o professor, além da semana decisiva, o mês também será crucial para Calheiros. Em sua opinião, este primeiro processo vai a julgamento do plenário até o final de agosto, já que "ninguém agüenta mais essa sensação".

- Existe um consenso de que ninguém agüenta mais isso. O Senado está muito pressionado, por isso tem que decidir nas próximas semanas, sendo para o bem ou para o mal. O ponto de saturação está muito alto - afirma Barreto.