Deputada diz que estrutura partidária brasileira é machista

Agência Brasil

BRASÍLIA - A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) atacou neste domingo a atual estrutura partidária no Brasil afirmando que é 'machista', 'patriarcal' e 'insuportável'. Ao falar para cerca de 3 mil mulheres que participavam da 2ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, Erundina disse que as mulheres só conseguirão ocupar a cota de 30% que lhes cabe nos parlamentos quando os partidos políticos abrirem espaço.

- Se tivéssemos partidos realmente democráticos, que não ficassem apenas na retórica dos discursos partidários, os próprios partidos já poderiam ter adotado essas cotas nas suas eleições. Precisamos reforçar nossa luta nos partidos. Eles têm uma hegemonia masculina, machista, patriarcal, insuportável - afirmou Erundina.

Na palestra anterior, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, havia usado grande parte do seu discurso para reclamar do pequeno espaço dado pelos partidos às mulheres. - Vamos revolucionar os nossos partidos, que até hoje mantêm uma estrutura machista - disse Luizianne, e conclamou as mulheres a se lançarem candidatas a vereadoras e prefeitas nas eleições do próximo ano.

Enquanto a participação feminina na sociedade brasileira corresponde a 52%, a presença delas no parlamento é de 8,8%. Aumentar essa proporção para pelo menos a cota prevista em lei, de 30%, foi um dos desafios lançados pelas palestrantes durante a conferência. Erundina mostrou dados que apontam o quanto o Brasil está defasado em relação a outros países. O parlamento de Ruanda, na África, por exemplo, é ocupado por 48,8% de mulheres. O da Suécia tem 45,3%; Costa Rica, 38.6%, e Argentina, 35%. O Brasil com seus 8,8% de presença feminina no Congresso, fica em 102º lugar numa lista de 129 países.

- Esses dados mostram quanto ainda temos que esbravejar para sairmos dessa condição vergonhosa da ausência de mulheres no parlamento - disse Erundina. Duas propostas da deputada, que já foram encaminhadas em forma de projeto de lei, pretendem ampliar essa participação. A primeira é a criação da cota na mesma proporção de 30% para a participação das mulheres na propaganda partidária de rádio e TV. A outra é a destinação de 30% da verba pública que os partidos recebem para atividades de incentivo à participação da mulher na política.

- Sabemos que os partidos políticos têm recursos públicos destinados à manutenção deles. É um recurso importante. Mas está concentrado só nos homens. Os tesoureiros são homens. E a cada seminário, a cada reunião, a cada congresso que as milimitantes dos partidos pretendem realizar para nos capacitar politicamente, temos que ir de pires nas mãos ao tesoureiro pedir esmola - argumentou. No caso da propaganda gratuita, ela disse que as mulheres não serão eleitas se não forem conhecidas. 'As mulheres precisam sair da invisibilidade. Nós precisamos sair do silêncio que o machismos e o patriarcalismo nos impõem até os dias de hoje. Nós queremos estar nos meios de comunicação de massa. Nós queremos aparecer nos programas gratuitos de rádio e TV'.

Também participaram do painel deste domingo, intitulado Participação das mulheres nos espaços de poder, a ministra Eliana Calmon, do Supremo Tribunal Federal (STF) e a pesquisadora da Universidade Federal Luiza Bairros, feminista e membro do Movimento Negro Unificado. O congresso termina na próxima segunda-feira, quando serão divulgadas as deliberações.