Advogado de Genoíno critica denúncia do mensalão

Portal Terra

BRASÍLIA - São poucos os acusados ou mesmo seus advogados dispostos a falar na reta final do julgamento do mensalão. Luiz Fernando Pacheco, advogado do deputado José Genoíno (PT-SP) é um dos que não evita falar. Segundo ele, a denúncia do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, contra seu cliente não tem consistência e não se apóia em provas. Ainda segundo Pacheco, o procurador teria "criado" a denúncia.

O procurador-geral disse, por meio da assessoria, que isso faz parte do processo e que a leitura da denúncia leva ao entendimento de que há indícios graves o suficientes para abertura de processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

- A denúncia não tem consistência, não se apóia em provas. É uma peça de criação mental do procurador-geral. São suposições. Ele não apresenta nenhum ato concreto. Ele não acusa o deputado por algo que ele fez ou deixou de fazer e sim pelo cargo que ele ocupava no partido - argumenta Pacheco.

Na denúncia apresentada ao STF e que começa a ser julgada na próxima quarta-feira, Genoíno é acusado de formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa. Segundo o procurador-geral, o deputado participava das decisões da quadrilha sobre a partilha de cargos no governo federal, assinou empréstimos que não seriam pagos aos Bancos Rural e BMG e ajudou a montar o esquema de pagamento de mesadas para parlamentares da base aliada, que ficou conhecido como mensalão.

- Os documentos assinados são empréstimos legais feitos pelo partido e registrados na contabilidade do partido. O próprio Delúbio (Soares, ex-tesoureiro do PT) disse que ele não fazia parte da estrutura partidária financeira. O Genoíno assumiu o cargo com a diretoria já eleita - argumenta Pacheco.

Segundo Pacheco, o procurador não aponta uma reunião ou contato que comprove a denúncia feita. - Nenhuma interceptação telefônica comprova o que ele diz na denúncia. O Genoíno teve seu sigilo bancário e telefônico quebrado - comenta.

José Luiz de Oliveira, advogado do ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse que não falaria antes do julgamento. - É um julgamento importante e o silêncio é parte da estratégia. Aconselhei o Zé Dirceu e não falar também. Temos que aguardar o julgamento - afirmou.