Tuma diz que Calheiros deve explicação bem consistente

Portal Terra

MACEIÓ - O corregedor do Senado, Romeu Tuma (Democratas-SP), que deixou Alagoas no final da tarde desta sexta-feira, disse que o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB), deve explicações sobre a suposta compra de meios de comunicação utilizando laranjas.

- Acho que o Renan deve uma explicação bem consistente - afirmou Tuma.

- Ele tem que ter meios para responder exatamente a tudo aquilo que foi falado sobre ele. Do contrário, aí depende de 80 - disse, referindo-se aos 80 senadores que deverão decidir o destino do presidente do Congresso, que responde a três processos no Conselho de Ética do Senado.

Tuma esteve em Maceió (AL) recolhendo documentos e depoimentos sobre supostos laranjas utilizados por Calheiros para a aquisição de meios de comunicação. A suposta sociedade secreta não aparece na declaração de Imposto de Renda do parlamentar.

De acordo com Tuma, a documentação recolhida em Alagoas "convence", mas ele precisa ouvir o empresário Tito Uchôa, primo de Renan Calheiros e apontado como laranja no suposto esquema para aquisição de rádios.

Com pastas e papéis debaixo do braço, Romeu Tuma disse que em São Paulo vai pedir o apoio da Polícia Federal (PF) para conversar com Uchôa e o empresário Nazário Pimentel.

Tuma já ouviu o ex-deputado federal e ex-presidente do diretório estadual do PTB, João Lyra, que afirma que Calheiros teve sociedade secreta com ele para aquisição de uma rádio e um jornal em Maceió.

Além do ex-deputado, o corregedor do Senado ouviu também o empresário Luis Carlos Barreto, antigo proprietário da rádio e do jornal que teriam sido comprados por supostos representantes de Calheiros. Barreto disse não ter documentos mostrando assinatura de Renan Calheiros, porém, confirmou a participação do parlamentar e de Lyra nas negociações.

- Será que o Tito tinha estes R$ 350 mil, mais R$ 100 mil, mais R$ 100 mil, mais R$ 50 mil? Pelo que me dizem, ele não tinha - disse o corregedor, referindo-se aos valores envolvidos na suposta negociação.

Tuma não descartou a quebra de sigilo bancário do primo de Calheiros.