Tragédia completa um mês; falta identificar 5 corpos

Portal Terra

SÃO PAULO - Nesta sexta-feira completa um mês da maior tragédia da aviação brasileira. No dia 17 de julho, o Airbus A320 da TAM, que fazia o vôo 3054 - de Porto Alegre (RS) a São Paulo (SP) -, não conseguiu pousar na pista do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, e colidiu contra o prédio da companhia. Morreram 199 pessoas no acidente e, destas, cinco ainda não foram identificadas pelo Instituto Médico Legal (IML).

Parentes das vítimas do acidente programaram para esta sexta-feira manifestações. Eles deverão ir até a Praça da Sé, no centro de São Paulo, e depois fazer uma caminhada na zona sul da capital paulista para lembrar as vítimas do desastre com o Airbus. O grupo deverá sair do Aeroporto de Congonhas e ir até o terreno onde ficava o prédio da TAM Express, implodido depois do acidente. Eles deverão depositar no local flores.

Na quinta, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, se reuniu no hotel Blue Tree Tower, no Ibirapuera, em São Paulo, com familiares da vítimas. Ele prometeu investigar a denúncia de que 23 minutos do áudio da caixa-preta do Airbus teriam sumido durante os processos de investigação.

Os órgãos competentes ainda investigam quais foram as causas do acidente. A transcrição do diálogo entre piloto e co-piloto do Airbus e controladores da torre do aeroporto, registrado na caixa-preta, foi divulgada pela CPI do Apagão aéreo no dia 1º de agosto. Nela conta som de gritos, uma voz feminina e a batida. Antes dos sons da batida do avião, foi possível ouvir, na cabine: "olhe isso, desacelera, eu não consigo, oh meu Deus, oh meu Deus, vira, vira".

Informações da caixa-preta de dados do avião mostrariam, através de gráficos, que o motor da turbina direita da aeronave não desacelerou no momento em que o avião aterrissou na pista principal do aeroporto. A outra turbina teria realizado o procedimento de frenagem dentro da normalidade.

Os dados mostrariam ainda que houve um aumento significativo na pressão exercida sobre os freios da aeronave, depois que o piloto percebeu que estava com velocidade superior ao previsto. Os gráficos apontariam também que nenhum dos cinco sistemas de spoilers (peças móveis da asa que auxiliam na frenagem) funcionaram durante o procedimento de aterrissagem.

Deputados da CPi do Apgão Aéreo afirmaram que um gráfico da caixa-preta de dados do avião da TAM mostra que uma das manetes (alavancas que controlam a velocidade) estava na posição de aceleração no momento do pouso.