Às vésperas de ser julgado, Dirceu critica 'ilusões golpistas'

REUTERS

BRASÍLIA - Às vésperas de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do "mensalão", o ex-ministro José Dirceu disse nesta terça-feira que o governo do PT "foi julgado nas eleições" e criticou opositores que teriam "ilusões golpistas".

O STF marcou para dia 22 o início da leitura do relatório do ministro Joaquim Barbosa, na ação proposta pela Procuradoria-Geral da República contra Dirceu e mais 39 réus por corrupção e formação de quadrilha.

- Eu quero muito ser julgado, não quero prescrição nem arquivamento, para estabelecer a verdade. Já fui absolvido de tudo que me acusaram até hoje - disse Dirceu a jornalistas ao lançar em Brasília seu site na Internet.

Para o ex-ministro, a leitura do relatório, que deve durar uma semana segundo advogados experientes no STF, não deve trazer novos prejuízos políticos ao governo por reviver o escândalo de 2005.

- O presidente Lula não foi acusado de nada nesse processo, foi inclusive inocentado. Politicamente, ele já foi julgado na reeleição - disse Dirceu.

Ele avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elegerá o sucessor em 2010 se mantiver a coalizão partidária, ao menos no segundo turno, e tiver sucesso na gestão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Plano Nacional de Educação.

- O PAC está andando onde há projetos, mas, se em 18 meses não tiver cumprido dois terços das metas, pode acender a luz vermelha - advertiu. Lançado em janeiro para investir 500 bilhões de reais em quatro anos, o PAC é coordenado por Dilma Rousseff, que substituiu Dirceu na Casa Civil quando este foi obrigado a renunciar sob denúncias, em julho de 2005.

- Acho que a tendência é ter vários candidatos (do campo do governo) no primeiro turno - calculou Dirceu, citando a ministra Marta Suplicy (PT) e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) como bem situados em pesquisas.

- É preciso manter a aliança com o PMDB, pelo menos no segundo turno de 2010, depois de testar a coalizão em 2008 (eleições municipais), mas é fundamental acertar na gestão do PAC e da Educação - insistiu. Para o ex-ministro, o governo precisa também "disputar" setores da classe média que se mostram insatisfeitos. Ele considerou "democráticas" manifestações como o movimento "Cansei", articulado por empresários.

- Não o considero um movimento golpista, embora setores políticos, sociais e da mídia apostem frequentemente que seja possível o governo cair por um golpe de mão. É uma ilusão golpista - afirmou.

Dirceu apresentou seu novo site (www.zedirceu.com.br) em um movimentado bar de Brasília, próximo às sedes da Polícia Federal e do Banco Central. Ministros, assessores do presidente Lula, parlamentares e dirigentes do PT e de outros partidos compareceram à festa.

Dirceu disse aos jornalistas que a crise área e o acidente com o avião da TAM mostraram a necessidade de uma reestruturação do setor e do modelo de agências reguladoras.

- Estávamos certos ao defender que as agências devem obedecer a contratos de gestão, seus diretores devem ser sujeitos a um sistema de 'recall', e elas não devem ter o poder de outorgar concessões - disse.

Mesmo defendendo um novo modelo e admitindo que houve "demora do governo em tomar algumas decisões", Dirceu poupou de críticas a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

- Se houve erro foi a agência não ter sido criada há pelo menos dez anos. A Anac mandou reduzir os vôos em Congonhas - argumentou.

Ele negou que seja o padrinho político de sua ex-assessora Denise Abreu, uma das diretoras da Anac, alvo de críticas na gestão do setor.

- Não fui eu que indiquei a Denise. É verdade que ela trabalhou comigo, mas é uma pessoa muito qualificada - afirmou, acrescentando que a diretora também trabalhou com o tucano Mario Covas, ex-governador de São Paulo morto em 2001).

Para José Dirceu, depois do acidente com o avião da TAM, que matou 199 pessoas, a oposição deveria ter procurado o governo para oferecer ajuda na "construção de uma solução para o problema".

Ele também elogiou a indicação de Nelson Jobim para o Ministério da Defesa. - É homem certo, no lugar certo, na hora certa - disse Dirceu sobre o ex-presidente do STF e ex-ministro da Justiça no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso.

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